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Navios de guerra russos chegarão em Havana na próxima semana

De acordo com as autoridades cubanas, chegada dos navios são um sinal das relações amigáveis entre a capital de Cuba e Moscou

Navios russos chegarão na capital cubana na próxima semana. (ADALBERTO ROQUE/Getty Images)

Navios russos chegarão na capital cubana na próxima semana. (ADALBERTO ROQUE/Getty Images)

Fernando Olivieri
Fernando Olivieri

Redator na Exame

Publicado em 7 de junho de 2024 às 06h54.

Quatro navios russos, incluindo um submarino nuclear, chegarão a Havana, em Cuba, na próxima semana, disseram autoridades cubanas na quinta-feira, 6, citando “relações historicamente amigáveis” entre ambas as nações. A chegada ocorre em meio ao aumento das tensões devido ao apoio militar ocidental à Ucrânia em sua guerra com a Rússia, relembrando momentos críticos da Guerra Fria, como a Crise da Baía dos Porcos. As informações são da AP.

O ministério das Relações Exteriores de Cuba informou em um comunicado que os navios estarão em Havana entre 12 e 17 de junho. As autoridades enfatizaram que nenhum dos navios carregará armas nucleares e asseguraram que sua presença “não representa uma ameaça para a região”.

O anúncio veio um dia após autoridades dos EUA declararem que Washington estava monitorando navios de guerra e aeronaves russas que deveriam chegar ao Caribe para um exercício militar. Eles afirmaram que o exercício faz parte de uma resposta mais ampla da Rússia ao apoio dos EUA à Ucrânia.

Os oficiais norte-americanos notaram que a presença militar russa é significativa, mas não preocupante. No entanto, ocorre enquanto o presidente russo Vladimir Putin sugere que Moscou poderia tomar “medidas assimétricas” em resposta à decisão do presidente Joe Biden de permitir que a Ucrânia use armas fornecidas pelos EUA para atacar dentro da Rússia.

Crise da Baía dos Porcos

Durante a Guerra Fria, as relações entre os Estados Unidos e a União Soviética foram marcadas por uma intensa rivalidade geopolítica e ideológica. Cuba tornou-se um ponto crítico nesta disputa após a Revolução Cubana de 1959, que levou Fidel Castro ao poder e alinhou a ilha com a União Soviética.

A Crise da Baía dos Porcos, em abril de 1961, foi uma tentativa fracassada de invasão de Cuba por exilados cubanos apoiados pelos EUA, com o objetivo de derrubar o governo de Castro. Este evento, juntamente com a Crise dos Mísseis em Cuba de 1962, que envolveu a instalação de mísseis nucleares soviéticos na ilha, evidenciou a tensão extrema e o potencial de conflito nuclear entre as duas superpotências.

A presença de navios de guerra russos em Cuba, como mencionado no texto, ecoa os tempos da Guerra Fria, onde a proximidade militar soviética ao território dos EUA aumentava significativamente as tensões. A "amizade histórica" mencionada no comunicado cubano remonta a este período, quando Cuba e a União Soviética formaram uma aliança estratégica contra a influência americana no hemisfério ocidental.

Hoje, a chegada dos navios de guerra russos em Havana pode ser vista como parte da resposta da Rússia à atual tensão com o Ocidente, semelhante às demonstrações de força durante a Guerra Fria. A menção de “medidas assimétricas” por Putin lembra as estratégias da União Soviética de usar pontos de pressão ao redor do mundo para desafiar os EUA.

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