Manifestação de estudantes e professores em Valparaíso termina em conflito

Há seis meses, professore e estudantes chilenos reivindicam melhorias no sistema educacional e ensino público gratuito

Valparaíso, Chile - Milhares de manifestantes entraram em confronto com a polícia nesta quinta-feira no porto de Valparaíso, ponto final de uma grande passeata de estudantes e professores chilenos, que há seis meses reivindicam melhorias no sistema educacional e um ensino público gratuito.

Os incidentes, como na maioria das manifestações que começaram em maio, ocorreram durante um ato cultural no fim da manifestação. Segundo as autoridades, o confronto foi iniciado por um grupo de manifestantes encapuzados que atacaram os policiais e começaram a destruir bens públicos.

Mesmo após o fim dos distúrbios, por volta das 15h locais (16h de Brasília), o número de pessoas detidas ainda não tinha sido confirmado, mas as autoridades policiais afirmam que vários agentes de segurança ficaram feridos.

Segundo os organizadores, a manifestação reuniu aproximadamente 15 mil pessoas, mas as autoridades reduzem o dado para 7 mil. O ato marcou o início de dois dias de mobilização para pressionar o governo a criar um projeto de lei contra a privatização do ensino básico e ensino médio.

"O objetivo da manifestação é protestar para que o governo deixe claro o projeto de lei sobre o sistema educacional. Queremos que este não resulte em mais privatizações", disse aos jornalistas o presidente do Colégio de Professores, Jaime Gajardo, que chegou a dizer que a manifestação reuniu 40 mil pessoas.

O movimento estudantil reivindica que os colégios públicos, que desde 1981 estão em mãos dos municípios, voltem a ser administrados pelo governo central. A medida possibilitaria um melhor aproveitamento e controle dos recursos.

Segundo Gajardo, há um compromisso do governo de entregar este projeto até 30 de novembro. "Mas estamos a duas semanas do prazo e ainda não ficamos sabendo de nada".


Também em Valparaíso, sede do Congresso, discute-se atualmente a lei de orçamento estatal para 2012, que será votada na próxima segunda-feira pela Câmara dos Deputados após ser aprovada pela Comissão Mista de Orçamentos.

Depois do término da manifestação, alguns dirigentes foram ao Parlamento para dialogar com os legisladores sobre as exigências da mobilização. Segundo Camilo Ballesteros, presidente da entidade estudantil da Universidade de Santiago, o movimento está "muito atento à discussão do orçamento".

"Nós esperamos que essas discussões ocorram de maneira clara para possibilitar que a população fique ciente de que estamos exigindo há mais de seis meses e que a maioria dos chilenos apoiou", afirmou o dirigente.

A manifestação desta quinta-feira tinha transcorrido de forma pacífica até o início do ato artístico, quando cerca de 200 pessoas encapuzadas tentaram ultrapassar as grades que rodeavam o Congresso para lançar pedras, garrafas e outros objetos contra a polícia, que respondeu com jatos de água e gás lacrimogêneo.

Nesse momento, os organizadores deram por terminado o ato, enquanto os confrontos se prolongaram durante mais uma hora, embora de forma esporádica. Em Santiago, fontes policiais disseram que também houve incidentes em algumas regiões da capital e das cidades de Concepción e Valdivia, no sul do país.

Nesta sexta-feira, uma nova manifestação será convocada, mas dessa vez o protesto está marcado para o centro da cidade de Santiago.

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