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Por que o governo americano está contratando gamers para evitar o caos na aviação

Campanha do governo americano mirou jovens jogadores por habilidades como raciocínio rápido e multitarefa, para tentar resolver escassez crônica no setor

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 12 de agosto de 2026 às 17h01.

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O governo dos Estados Unidos recrutou mais de 2 mil jogadores de videogame para a formação de novos controladores de tráfego aéreo. A iniciativa faz parte de campanha lançada em abril pelo Departamento de Transportes (USDOT, na sigla em inglês) e pela Administração Federal de Aviação (FAA) para enfrentar a escassez de profissionais no setor.

Segundo o secretário de Transportes, Sean Duffy, em publicação no X (antigo Twitter), o resultado representa 94% da meta anual de contratação.

O governo também afirmou que o processo de seleção foi o mais rápido já registrado para a área, acelerando a entrada dos candidatos na academia de formação técnica da FAA. Além dos recém-contratados, a agência ainda avalia outros 2 mil candidatos.

Não é a primeira vez que a FAA tenta atrair pessoas ligadas ao universo dos games. Em 2021, a agência já havia promovido a campanha Level Up, também voltada a renovar e diversificar a força de trabalho da aviação comercial.

Como a campanha atraiu candidatos

A ação adotou comunicação inspirada em jogos populares, como Fortnite, e em simuladores de voo, como o Microsoft Flight Simulator, com o slogan "Você esteve treinando para isso...".

A campanha buscou jovens com habilidades associadas ao hobby: tomada rápida de decisões, orientação espacial, raciocínio estratégico e capacidade de acompanhar várias informações ao mesmo tempo — competências consideradas centrais para a profissão.

Controladores de voo são responsáveis por acompanhar aeronaves em movimento, orientar pilotos e lidar com mudanças de rota e clima.

Para tornar a carreira mais atraente, o portal do programa também citava benefícios como treinamento remunerado, vantagens federais e remuneração média anual acima de US$ 155 mil — cerca de R$ 850 mil, em conversão direta — após três anos de serviço. Segundo o site Polygon, o salário é um dos principais motivos para a falta de pessoal no setor.

Escassez pressiona a aviação americana

A ofensiva tenta responder a uma queda de cerca de 6% no número de controladores ativos na última década, cenário agravado por paralisações governamentais, aposentadorias em massa, interrupções nos treinamentos durante a pandemia de covid-19 e falta de estabilidade salarial.

Em abril, a FAA contava com cerca de 11 mil controladores ativos e 4 mil estagiários em formação, segundo dados citados pela CNN — número considerado insuficiente para atender à demanda operacional dos aeroportos americanos.

A falta de pessoal é apontada como uma das principais razões para a carreira ser considerada uma das mais estressantes do país, o que também alimenta preocupações com segurança. Em março, a colisão entre um avião da Air Canada Express e um caminhão de bombeiros a mais de 160 km/h na pista reacendeu as discussões sobre esse déficit.

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