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Guerra do Irã: Republicanos barram projeto para limitar poderes de Trump

Na primeira votação do Senado americano sobre a atual guerra no Irã, republicanos barraram esforços para impedir o avanço conjunto com Israel. Mesmo assim, guerra é motivo de preocupação nos EUA

Cúpula do Congresso dos EUA, com a bandeira americana  (Ken Cedeno/AFP)

Cúpula do Congresso dos EUA, com a bandeira americana (Ken Cedeno/AFP)

Publicado em 5 de março de 2026 às 12h01.

O Senado americano, liderado por republicanos, rejeitou na noite de quarta, 4, uma resolução de poderes de guerra que visava restringir o poder do presidente dos EUA, Donald Trump, de conduzir mais ações militares contra o Irã. A proposta foi rejeitada pelo placar de 47 a 53, falhando em obter a maioria simples necessária.

Apenas um republicano se juntou aos democratas votando a favor da lei, enquanto apenas um democrata se juntou aos republicanos contra. A resolução, proposta pelo senador democrata da Virgínia Tim Kaine, propunha remover “as Forças Armadas dos Estados Unidos de hostilidades dentro ou contra o Irã, a menos que explicitamente autorizadas por uma declaração de guerra ou uma autorização específica para o uso da força militar.”

Além disso, é esperado que o Senado vote contra outra resolução sobre poderes de guerra nessa quinta, 5. O ponto feito por democratas é que a Constituição americana garante poderes de declarar guerra ao Congresso, e que Trump e seu gabinete, ignorando isso, declararam guerra independentemente.

Em um discurso no plenário, antes dos votos, Kaine disse: "Não dá para dizer que isso é uma mera provocação que não chega ao nível que caracteriza uma guerra. Não dá para dizer que isso é um incidente isolado e que não há tropas envolvidas em hostilidades contra o Irã. Senadores, isto é guerra."

"O presidente dos Estados Unidos chamou isso de guerra contra o Irã. O chefe do Estado-Maior Conjunto, General [Dan] Caine, chamou isso de guerra contra o Irã. O secretário [Marco] Rubio, nosso secretário de Estado, chamou isso de guerra contra o Irã... É uma guerra."

Uma guerra repleta de incertezas

Por sua vez, a administração estima que a guerra não dure mais do que algumas semanas. No início, o gabinete de Trump estimava uma operação de no máximo cinco semanas, mas o Secretário de Defesa, Pete Hegseth, anunciou nessa quarta que a guerra poderia ser estendida para até oito semanas.

No mesmo dia, Hegseth disse à repórteres no Pentágono que os EUA não “pouparam capacidade” militar para melhorar seus sistemas de defesa aéreos a fim de proteger forças americanas e seus aliados no Oriente Médio, apesar de conceder que alguns ataques iranianos atingem seus alvos: “Isso não significa que podemos parar tudo, mas garantimos que a defesa e a proteção da força máximas possíveis fossem estabelecidas antes de partirmos para o ataque”, disse ele.

Por mais que o presidente Trump tenha elogiado os militares americanos por “estarem indo muito bem nas linhas de frente”, a ausência de um plano concreto semeia preocupação em muitos americanos, que já estavam cautelosos sobre a participação americana em um novo conflito. Em entrevista para a Reuters, um jovem de 19 anos que votou em Trump na corrida presidencial de 2024 expressa preocupação e cautela:

“Uma das coisas que eu gostava em Trump era que ele priorizaria a ‘America First [América em primeiro lugar]’. Essa era a retórica da campanha dele", disse o jovem Michael Leary, que admite que recebeu a notícia da morte de Ali Khamenei com alegria."Não é que eu discorde da guerra ou dos ataques... Precisamos aprender mais e ver o que vai acontecer. Mas me pareceu um passo para trás em relação ao que ele estava dizendo."

Uma pesquisa conjunta da Reuters com a Ipsos, conduzida durante os primeiros dias do conflito, revela que apenas um em quatro americanos apoia os ataques. Enquanto isso, mais da metade dos entrevistados, cerca de 56% – incluindo republicanos – acreditam que Trump está muito disposto a usar força militar para avançar os interesses americanos.

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