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Governo brasileiro condena "nos mais fortes termos" bombardeio de Israel a escola da ONU

Ministério das Relações Exteriores afirmou que não há justificativa para ofensivas contra instalações das Nações Unidas. Israel alega que local era base de terroristas do Hamas

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter da Home

Publicado em 6 de junho de 2024 às 16h42.

O governo brasileiro condenou um ataque israelense realizado na manhã desta quinta-feira, 6, em uma escola da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA). A instalação está localizada no campo de refugiados de Nuseirat, no centro da Faixa de Gaza.

A ação deixou pelo menos 40 mortos e dezenas de feridos, segundo o Hamas. O complexo abrigava deslocados internos, em sua maioria mulheres e crianças, segundo um hospital local. Israel, por sua vez, alega que o local abrigava uma "base do Hamas".

Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmou que o governo considera o ataque uma grave violação dos direitos humanos e reforçou não haver justificativa para ofensivas contra instalações da ONU.

"Ao renovar o firme compromisso com o valioso trabalho da UNRWA junto aos refugiados palestinos, o governo brasileiro reitera que ataques a populações e infraestruturas civis, em descumprimento aos princípios da distinção e proporcionalidade, constituem graves violações do direito internacional humanitário", diz o texto. "Não há justificativa para ataques militares contra instalações da ONU. Da mesma forma, áreas densamente povoadas devem ser poupadas". 

Nesta manhã, o Exército de Israel reivindicou o bombardeio aéreo contra a escola da UNRWA na Faixa de Gaza, alegando que o local abrigava uma "base do Hamas".

"Os caças da IAF conduziram um ataque preciso a um complexo do Hamas embutido na escola na área de Nuseirat. Estes terroristas pertenciam às Forças Nukhba e participaram no massacre de 7 de Outubro. Antes do ataque, foram tomadas várias medidas para reduzir o risco de ferir civis não envolvidos durante o ataque, incluindo a realização de vigilância aérea e informações adicionais de inteligência", disse as Forças de Defesa de Israel em uma publicação no X (antigo Twitter).

Leia a íntegra da nota a seguir:

O governo brasileiro condena, nos mais fortes termos, o ataque israelense realizado na manhã de hoje, 6/6, à escola da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA) no campo de refugiados de Nuseirat, no centro da Faixa de Gaza, deixando ao menos 40 mortos e dezenas de feridos. O complexo atingido abrigava deslocados internos, em sua maioria mulheres e crianças, que têm na UNRWA ponto de apoio indispensável.

Desde o início da ofensiva militar israelense em Gaza, foram registrados mais de 430 incidentes envolvendo as instalações da UNRWA na Faixa. Estima-se que pelo menos 455 deslocados internos tenham sido mortos e outros 1.476 tenham ficado feridos enquanto se abrigavam em edifícios da Agência da ONU. 180 funcionários da Agência em Gaza foram mortos desde então.

Ao renovar o firme compromisso com o valioso trabalho da UNRWA junto aos refugiados palestinos, o governo brasileiro reitera que ataques a populações e infraestruturas civis, em descumprimento aos princípios da distinção e proporcionalidade, constituem graves violações do direito internacional humanitário. Não há justificativa para ataques militares contra instalações da ONU. Da mesma forma, áreas densamente povoadas devem ser poupadas.

Ao expressar absoluto repúdio ao emprego indiscriminado da força militar contra a população civil e exortar ao pleno respeito aos direitos humanos e ao direito internacional humanitário, o governo brasileiro conclama todas partes envolvidas no conflito a se engajarem em conversações que permitam cessar-fogo imediato e duradouro, tendo presente, inclusive, a proposta de acordo atualmente sobre a mesa, apresentada pelo Presidente dos EUA, Joe Biden, em 31 de maio último.

Guerra entre Israel e Hamas

A guerra na Faixa de Gaza começou após o ataque sem precedentes do Hamas contra o sul de Israel em 7 de outubro, quando milicianos islamistas mataram 1.194 pessoas, a maioria civis, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais israelenses.

Os combatentes sequestraram 251 pessoas, que foram levadas para Gaza. Do grupo, 120 permanecem em cativeiro em Gaza, das quais 41 teriam morrido.

Em resposta, Israel prometeu "aniquilar" o Hamas e iniciou uma ofensiva no território palestino que deixou mais 36.500 mortos até o momento, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, que é controlado pelo Hamas.

(Com AFP)

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