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Cúpula no Egito começa hoje com participação do Brasil para discutir guerra

O convite ao Brasil foi interpretado pelo Itamaraty como um sinal de prestígio pela tradição diplomática e pelo papel como presidente atual do Conselho de Segurança das Nações Unidas

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Mauro Vieira, ministro das Relacções Exteriores: ele participa da Cúpula do Egito para discutir saídas para o fim da guerra Israel-Hamas (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Mauro Vieira, ministro das Relacções Exteriores: ele participa da Cúpula do Egito para discutir saídas para o fim da guerra Israel-Hamas (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participa neste sábado, dia 21, da Cúpula da Paz no Cairo, a convite do presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sisi. O encontro almeja discutir uma saída para a guerra entre Israel e o grupo terrorista palestino Hamas.

A reunião de líderes globais ocorre sob intensa pressão política para a abertura da fronteira entre a Faixa de Gaza e o Sinai, por onde cerca de 5 mil estrangeiros - entre eles 30 brasileiros - querem fugir dos bombardeios e da ameaça de incursão terrestre israelense. Há ainda a tentativa de efetuar de fato a entrega de ajuda humanitária, e de apelar pela libertação imediata de cerca de 200 reféns capturados em Israel pelo Hamas. Nesta manhã, os primeiros comboios de ajuda humanitária entraram em Gaza pela passagem fronteiriça de Rafah.

Além do Brasil, participam da cúpula com representantes os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - Rússia, China, França, Estados Unidos e Reino Unido -, países árabes, países do Golfo, Canadá, África do Sul, Espanha e Alemanha, entre outros.

Leia também: Guerra: Hamas liberta primeiros reféns de Gaza após mediação de EUA e Catar

A previsão do governo brasileiro é que haja uma rodada de debates e também discursos. A cúpula vai durar todo o dia. O ministro vai tentar levar a mensagem com forte ênfase humanitária, segundo diplomatas, similar ao tom que o país adotou no Conselho de Segurança e evitar manifestações políticas.

A efetiva liberação da passagem de alimentos, medicamentos e água, entre outros insumos a moradores palestinos civis, e o trânsito de estrangeiros, será um dos principais pontos de discussão. A pressão aumentou nas últimas horas com presença de líderes no local.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, foi até a faixa de fronteira na sexta-feira, 20, e disse que os carregamentos de ajuda humanitária são a "diferença entre a vida e a morte" para os cerca de 2 milhões de moradores de Gaza.

A questão é considerada cada dia mais grave por integrantes do governo, com urgente necessidade de proteção aos civis. Segundo embaixadores que acompanham a cúpula no Cairo, é difícil prever os resultados e o foco será pressionar para que as decisões sejam tomadas o quanto antes. A perspectiva de iminente invasão em Gaza pelas Forças de Defesa de Israel, como ameaçam os comandantes militares, tornam o cenário imprevisível, segundo um deles.

O chanceler brasileiro chegou hoje ao Cairo, vindo de NY. O convite ao Brasil, que não é um país da região, foi interpretado pelo Itamaraty como um sinal de prestígio pela tradição diplomática de defender a solução de dois Estados - Israel e Palestina - e pelo papel como presidente atual do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

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Discussões na ONU

Nesta semana, o O Brasil conseguiu angariar 12 votos a favor de um projeto de resolução no Conselho, que previa uma pausa humanitária na guerra e a condenação dos ataques terroristas do Hamas, mas os Estados Unidos vetaram a aprovação, alegando que os países não deixavam explícito o direito de autodefesa de Israel.

A rejeição ampliou as críticas ao imobilismo das Nações Unidas e apelos pela reforma dos órgãos multilaterais.

O presidente dos EUA, Joe Biden, anunciou horas depois de obstruir o Conselho de Segurança que obteve um compromisso egípcio e israelense para a abertura da passagem da fronteira de Rafah. Ele voltou a dizer que dentro de 24 horas a 48 horas o caminhão de primeiros socorros entrará em Gaza.

O governo Lula tenta ostentar equidistância entre os dois lados do conflito histórico. Cobrado politicamente, tanto por integrantes de sua base política quanto pela oposição, Lula associou o Hamas ao terrorismo pela primeira vez, pediu que o grupo liberte crianças sequestradas por eles de famílias israelenses, mas também afirmou ser "insana" a operação militar de resposta executada por Israel, com a morte de cerca de 1,5 mil crianças em Gaza.

Leia também: Ajuda chega a Gaza pela primeira vez  desde o início da guerra Israel-Hamas

O governo argumenta que a posição tem precedentes e evita constrangimentos ou obstáculos, justamente agora, quando o País tenta extrair da Faixa de Gaza cerca de 30 brasileiros residentes e que pediram socorro ao governo. Eles estão alojados a até 10 quilômetros de distância da fronteira com o Egito, mas os constantes bombardeios israelenses no Sul de Gaza, inclusive próximo à passagem, elevam os riscos.­

Há cerca de uma semana, o governo tenta obter aval de atores envolvidos para que o grupo cruze a fronteira pela passagem de Rafah, a única de pessoas ao Sul de Gaza.

O chanceler israelense, Eli Cohen, deu a diplomatas estrangeiros com os quais se reuniu na quinta-feira, dia 19, indicativos de que seu governo autorizaria a abertura da fronteira nos próximos dias, sem especificar uma data, relatou o embaixador brasileiro em Tel Aviv, Frederico Meyer.

O presidente El-Sisi, no entanto, tem resistido à entrada em massa de refugiados, indiscriminadamente. Ele afirma que a cooperação internacional é necessária para evitar que toda a região mergulhe no conflito. Segundo argumenta El-Sisi, o deslocamento forçado de palestinos para o Sinai é "extremamente perigoso" e poderia transformar a região numa base para ataques a Israel, além de "acabar com a causa palestina".

Países e instituições que devem ter representantes na Cúpula da Paz no Cairo:

  • Egito
  • Palestina
  • Kwait
  • Bahrein
  • Brasil
  • África do Sul
  • Itália
  • Grécia
  • Canadá
  • Chipre
  • Espanha
  • Alemanha
  • França
  • Estados Unidos
  • Rússia
  • China
  • Reino Unido
  • Japão
  • Noruega
  • União Europeia
  • Nações Unidas

Tudo o que você precisa saber para entender a guerra entre Israel e Hamas

Por que o Hamas atacou Israel?

O Hamas lançou a "Operação Al-Aqsa Flood" para, segundo alega, defender a mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, palco de tensões entre palestinos e israelenses.

O que é a Faixa de Gaza?

A Faixa de Gaza é um região palestina localizada ao leste do território israelense, a oeste pelo Mediterrâneo e ao sul pelo Egito. Mais de dois milhões de palestinos vivem na região, com quase 6.000 habitantes por km² — uma das densidades populacionais mais altas do mundo.

Hamas é terrorista?

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) não reconhece o Hamas como um grupo terrorista. Países como Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Austrália e nações da União Europeia apontam que o Hamas é uma organização terrorista.

Quem é o chefe do Hamas?

Ismail Haniyeh lidera o Hamas desde 2017 e reside em Doha, Catar, desde 2020 devido às restrições de saída e entrada em Gaza, que enfrenta bloqueios em suas fronteiras tanto com Israel quanto com o Egito.

O que o Hamas defende?

Na sua Carta de Princípios de 1988, o Hamas declarou que a Palestina é uma terra islâmica e não reconhece a existência do Estado de Israel.

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