Mundo

Comércio exterior da China cresce 18,3% no início de 2026 e supera 7,7 trilhões de yuans

Resultado reflete a expansão das exportações, o aumento das importações e a demanda doméstica durante o feriado do Ano Novo Chinês

Ruas de comércio na China (Getty Images)

Ruas de comércio na China (Getty Images)

China2Brazil
China2Brazil

Agência

Publicado em 10 de março de 2026 às 17h38.

Tudo sobreChina
Saiba mais

O comércio exterior da China alcançou 7,73 trilhões de yuans (cerca de US$1,12 trilhão) entre janeiro e fevereiro de 2026, com crescimento de 18,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados foram divulgados na terça-feira pela Administração Geral das Alfândegas. O resultado reflete a expansão das exportações, o aumento das importações e a demanda doméstica durante o feriado do Ano Novo Chinês.

As exportações somaram 4,62 trilhões de yuans no período, alta anual de 19,2%. Já as importações atingiram 3,11 trilhões de yuans, com crescimento de 17,1%.

Além disso, as exportações de produtos mecânicos e elétricos de maior valor agregado cresceram 24,3% nos dois primeiros meses de 2026. Esses itens concentram parte relevante da pauta exportadora chinesa.

Ao mesmo tempo, o consumo interno durante o feriado do Ano Novo Chinês aumentou a demanda por produtos importados. Nesse contexto, as importações de equipamentos mecânicos e elétricos, minério de ferro e petróleo bruto registraram crescimento de dois dígitos.

Comércio mantém ritmo após expansão em 2025

O resultado do início de 2026 ocorre após o comércio exterior chinês crescer 3,8% em 2025. Segundo analistas, governos locais e departamentos administrativos ampliaram ações para estimular negócios internacionais. Paralelamente, empresas exportadoras buscaram novos pedidos e mercados.

Huang Qunhui, pesquisador do Instituto de Economia da Academia Chinesa de Ciências Sociais, afirmou que o desempenho do início do ano cria base para o comércio exterior ao longo de 2026. Segundo ele, a modernização da indústria manufatureira e o estímulo à demanda doméstica ampliam o suporte ao comércio internacional do país.

Durante entrevista coletiva realizada na semana passada à margem da quarta sessão da 14ª Assembleia Popular Nacional, o ministro do Comércio, Wang Wentao, afirmou que o comércio exterior mantém a tendência observada em 2025.

No entanto, o ministro destacou desafios no cenário internacional. “Os recentes conflitos geopolíticos impactaram a ordem econômica internacional e as cadeias industriais e de suprimentos globais”, afirmou Wang. Segundo ele, esse cenário aumenta a volatilidade e pressiona a estabilidade do comércio global.

ASEAN lidera entre parceiros comerciais

Entre os parceiros comerciais da China, a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) manteve a primeira posição. O comércio entre China e ASEAN atingiu mais de 1,24 trilhão de yuans entre janeiro e fevereiro de 2026, com crescimento anual de 20,3%.

A União Europeia aparece em seguida. O comércio bilateral somou 998,94 bilhões de yuans no período, alta de 19,9%.

Além disso, o comércio da China com a América Latina cresceu 19,7%, enquanto as transações com países africanos avançaram 34,2%.

Em contraste, o comércio com os Estados Unidos totalizou 609,71 bilhões de yuans no período, queda anual de 16,9%.

Os dados também mostram expansão das trocas com países participantes da Iniciativa Cinturão e Rota. O comércio com essas economias alcançou 4,02 trilhões de yuans nos dois primeiros meses de 2026, com crescimento de 20%.

China busca equilibrar exportações e importações

Segundo Wang Wentao, a China pretende manter o crescimento equilibrado do comércio exterior em 2026. O governo busca estabilizar as exportações e ampliar o acesso de produtos estrangeiros ao mercado chinês.

Nesse contexto, o país pretende aumentar as importações de produtos agrícolas, bens de consumo, equipamentos industriais e componentes.

Além disso, o governo planeja ampliar o comércio digital e o comércio verde. O objetivo inclui incentivar exportações de produtos ligados à inteligência artificial, equipamentos de energia limpa e outras tecnologias. Essas áreas devem ampliar as fontes de crescimento do comércio exterior chinês nos próximos anos.

Acompanhe tudo sobre:ChinaComércio

Mais de Mundo

Trump acusa Irã de 'chantagem' em meio à escalada em Ormuz

Irã rejeita novas negociações com EUA por 'exigências excessivas', diz mídia local

Líder supremo do Irã diz que Marinha está pronta para 'derrotar inimigos' em Ormuz

Irã dispara contra petroleiro no Estreito de Ormuz, diz marinha britânica