Ciência

Canadá agora permite o uso da heroína (só em alguns casos)

Nova regulação permite aos médicos a prescrição da droga para pacientes com dependência severa. Tratamento era proibido desde 2013


	Seringa e droga: segundo a UNODC, mundo tem 17 milhões de usuários de drogas opioides como heroína
 (kunchit2512/ThinkStock)

Seringa e droga: segundo a UNODC, mundo tem 17 milhões de usuários de drogas opioides como heroína (kunchit2512/ThinkStock)

Gabriela Ruic

Gabriela Ruic

Publicado em 14 de setembro de 2016 às 11h43.

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São Paulo – O Canadá aprovou neste mês uma nova regulação para as drogas que passa a permitir aos médicos a prescrição da heroína para pacientes com dependência severa. Segundo informações da CBC News, rede de notícias do país, a substância será agora acessível quando os tratamentos convencionais tenham falhado.

Para ter tanto, os médicos terão de fazer o pedido ao Ministério da Saúde do país, que avaliará o caso e concederá a permissão dentro dos limites de um programa do governo conhecido como Special Access Programme (SAP) e que regula o acesso às drogas que não estão à venda ou não foram ainda aprovadas para pacientes em situações específicas. 

De acordo com o Ministério da Saúde do país, o Canadá vive uma crise de saúde pública após ter registrado um aumento alarmante no número de overdoses e mortes pelo uso abusivo de drogas baseadas em opioides, como a heroína e fentanil.

Segundo números levantados pelo site de notícias The Globe and Mail, a província de British Columbia observou um aumento de 88% nestes casos só nos primeiros meses de 2016. A UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime) estima que o mundo tenha hoje ao menos 17 milhões de usuários dessas drogas.

Embora anunciada neste mês, a medida não é uma novidade no Canadá. Esses tipos de tratamentos haviam sido primeiro regulamentados em 2013, mas proibidos meses depois pelo governo conservador de Stephen Harper, sucedido no ano passado pelo liberal Justin Trudeau.

Desde então, o novo governo vinha estudando reverter essa proibição, que chega depois de terem sido encontradas “evidências científicas significativas” que apoiam o uso médico da diacetilmorfina, nome científico da heroína, no tratamento de dependência crônica. Países europeus como Alemanha, Dinamarca e Suíça já permitem o uso da droga nestes casos. 

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