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O chefe de governo alemão, Olaf Scholz, prometeu neste sábado (2) uma investigação "exaustiva", após a Rússia divulgar uma conversa militar confidencial sobre a entrega de armas à Ucrânia.

A informação publicada constitui "um assunto muito sério e é a razão pela qual é objeto de uma investigação muito profunda, exaustiva e rápida", declarou Scholz em Roma, onde participa de um congresso de partidos socialistas europeus.

A diretora do canal estatal russo RT, Margarita Simonyan, divulgou ontem uma gravação de áudio de 38 minutos que diz ser um trecho de uma conversa entre oficiais alemães sobre um eventual bombardeio na Crimeia.

A conversa discute a possibilidade de o exército ucraniano usar mísseis Taurus de fabricação alemã e seu impacto potencial. Fala-se também em possíveis alvos de ataque, como a ponte que liga a península da Crimeia, ocupada pelas forças de Moscou, à Rússia, sobre o estreito de Kerch.

"Segundo nossa avaliação, uma conversa na divisão da Força Aérea foi interceptada. Neste momento, não podemos afirmar se houve alterações na versão gravada ou transcrita que circula nas redes sociais", disse uma porta-voz do Ministério da Defesa alemão à AFP.

Especialistas consultados pela revista alemã Der Spiegel disseram
acreditar que a gravação é autêntica.

Segundo a Der Spiegel, a videoconferência não foi realizada por meio de nenhum canal interno do Exército, e sim por meio da plataforma WebEx.

Kiev solicita há tempos que a Alemanha lhe forneça mísseis Taurus, que têm um alcance de até 500 quilômetros. Até agora, o chefe de governo alemão, Olaf Scholz, recusou-se a enviar esses projéteis, temendo uma escalada do conflito. A península da Crimeia foi anexada em 2014 por Moscou.

'Catástrofe' para o serviço secreto

Os participantes também mencionam na gravação detalhes sobre o fornecimento e o uso de mísseis de longo alcance Scalp, entregues desde o começo do ano passado pela França e o Reino Unido. Essa é a parte da conversa que mais compromete o governo alemão, pois revela segredos de países aliados.

O canal de TV público ARD classificou a divulgação como "uma catástrofe" para o serviço secreto alemão, acusado de negligência em suas medidas de segurança.

"Se essa história for verdadeira, seria muito problemática", disse o presidente da comissão parlamentar alemã para o controle do serviço secreto, Konstantin von Notz, ao canal RND. "É preciso perguntar se esse é um incidente isolado ou um problema de segurança estrutural", acrescentou.

Roderich Kiesewetter, especialista em questões de defesa do principal partido conservador de oposição, o CDU, alertou que pode haver mais vazamentos. "Certamente muitas outras conversas foram interceptadas e poderão vazar em benefício da Rússia", disse à emissora ZDF.

Segundo ele, é possível pensar "que a conversa foi vazada deliberadamente pela Rússia neste exato momento, com uma intenção específica", que seria "impedir que a Alemanha forneça o Taurus" à Ucrânia.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria
Zakharova, pediu "explicações rápidas" à Alemanha sobre o assunto. "Qualquer tentativa de evitar responder às perguntas será considerada como uma admissão de culpa", afirmou.

O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, em visita à Turquia, declarou que o caso mostra "que o lado da guerra na Europa continua sendo muito forte".

O número dois do conselho de segurança russo, Dmitry Medvedev, destacou em seu canal no Telegram que "os alemães, nossos rivais de longa data, voltam a ser nossos inimigos jurados" e preparam lançamentos de mísseis para atacar "a pátria" russa.

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