Ainda podemos barrar Suécia e Finlândia na Otan, diz presidente da Turquia

Erdogan fez a afirmação dois dias após concordar com a entrada dos países
Erdogan: presidente da Turquia disse que ainda pode barrar entrada de Finlândia e Suécia na Otan (Mustafa Kamaci/Turkish Presidential Press Office/Reuters)
Erdogan: presidente da Turquia disse que ainda pode barrar entrada de Finlândia e Suécia na Otan (Mustafa Kamaci/Turkish Presidential Press Office/Reuters)
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Estadão ConteúdoPublicado em 30/06/2022 às 15:55.

Apenas dois dias após concordar em retirar suas objeções para a entrada de Suécia e Finlândia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse nesta quinta-feira, 30, que o processo de ingresso poderia ainda ser bloqueado, caso os dois países não cumpram suas expectativas.

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Erdogan disse, no encerramento de uma cúpula da aliança em Madri que o acordo com os dois países nórdicos foi uma vitória para Ancara, ao responder a todas as questões turcas. Ele ressaltou a exigência para que Suécia e Finlândia extraditem suspeitos de terrorismo vinculados com os grupos curdos ou a rede do clérigo exilado acusado de um fracassado golpe em 2016 na Turquia.

Mas Erdogan disse que, caso os dois países recuem de suas promessas, o Parlamento turco poderia não ratificar o acordo. O acesso à Otan precisa ser formalmente aprovado por todos os 30 membros. O presidente turco disse que a Suécia havia prometido extraditar 73 "terroristas" à Turquia e combater atividades de financiamento e recrutamento do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e grupos ligados a este. Os EUA e a União Europeia qualificam o PKK como terrorista.

O texto do memorando não cita números específicos de extradições. A delegação sueca em Madri ainda não havia respondido aos comentários de Erdogan. O governo sueco tem tentado responder a preocupações de que o acordo possa levar a extradições à Turquia sem o devido processo. O presidente finlandês, Sauli Niinisto, ressaltou que Helsinque apontou que o memorando não lista o nome de indivíduos. Segundo ele, a legislação do próprio país e acordos internacionais serão seguidos, nessas decisões.

O chanceler alemão, Olaf Scholz, por sua vez, disse que desejava concluir o processo de adesão dos dois países "rapidamente". (Fonte: Associated Press)

(Estadão Conteúdo)

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