Líderes Extraordinários

2026: o ano em que liderar será mais importante do que planejar

O que separa organizações resilientes daquelas que apenas reagem ao contexto

Produtividade em 2026: Copa, eleições e feriados exigirão inteligência emocional das lideranças. (SIphotography /iStockphoto)

Produtividade em 2026: Copa, eleições e feriados exigirão inteligência emocional das lideranças. (SIphotography /iStockphoto)

Danilo Magri
Danilo Magri

Colunista

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 14h00.

Há anos atípicos. E há anos como 2026.

Um ciclo que mistura Copa do Mundo, eleições, novos debates sobre produtividade, uma economia em transição e um calendário repleto de feriados prolongados. Para quem lidera, o próximo ano não será apenas uma sequência de metas trimestrais. Será um teste de maturidade organizacional.

Liderar 2026 exigirá mais do que planejamento. Exigirá leitura fina de contexto, adaptabilidade emocional e uma capacidade rara de manter o time engajado em meio a dispersões inevitáveis.

O Brasil já viveu anos de alta oscilação política e econômica, mas a combinação específica do próximo ciclo cria uma dinâmica distinta. Pesquisas do Insper mostram que anos de eleições tendem a gerar maior volatilidade no mercado interno, especialmente no segundo semestre, por conta de decisões de investimento adiadas e maior cautela das empresas. Ao mesmo tempo, anos de grandes eventos esportivos têm impacto direto no comportamento das equipes.Segundo  a Deloitte, períodos de Copa geram queda média de 8% na produtividade em semanas de jogos decisivos, mas aumentam o engajamento interno quando as empresas sabem usar o clima a seu favor.

Ou seja, 2026 será um ano em que líderes precisarão navegar entre estímulos contraditórios. O entusiasmo coletivo e a instabilidade política, o calendário fragmentado e a pressão por resultados, o desejo das pessoas por mais equilíbrio e a demanda das empresas por eficiência.

Se 2025 já trouxe sinais de fadiga corporativa, o próximo ano pode amplificar essa curva. Isso ocorre porque anos com muitos feriados prolongados, como será 2026, criam uma sensação de ritmo irregular que impacta diretamente o foco. Estudos da Fundação Dom Cabral mostram que semanas com interrupções reduzem a produtividade média em até 12%, mas aumentam o bem-estar percebido pelos colaboradores.

É por isso que 2026 será um ano de gestão de energia, não apenas de gestão de metas.

O líder que tentar travar um embate contra o calendário perderá. Mas o líder que aprender a dançar com o calendário, ajustando entregas, reorganizando marcos e adotando um modelo de produtividade mais inteligente sairá na frente. Será necessário reequilibrar expectativas, revisitar rotinas, redesenhar rituais e, principalmente, compreender que equipes não funcionam como máquinas, mas como organismos sociais profundamente influenciados pelo contexto externo.

Haverá também um outro desafio: o das pessoas.
Os profissionais entrarão em 2026 com novas exigências emocionais. Querem autonomia, querem flexibilidade, querem significado e não irão abrir mão disso. O RH que antes discutia carreira e remuneração, agora discute pertencimento, aprendizado e saúde mental. Recrutar e reter será mais competitivo. Liderar será mais psicológico do que técnico.

Talvez o ponto mais relevante seja este: 2026 não será um ano para lideranças reativas. Será um ano para lideranças conscientes, que entendem que pessoas não performam bem em ambientes de pressão contínua e que cultura não se mantém sozinha. Será necessário mais conversa, mais contexto, mais direção emocional. Os times vão oscilar e líderes maduros saberão oferecer estabilidade quando tudo ao redor dispersa.

A grande pergunta é: “Estamos preparados?”

Porque 2026 trará Copa, eleições, feriados e volatilidade. No entanto, trará também oportunidades únicas para empresas que souberem se antecipar ao comportamento das pessoas, às mudanças do mercado e às novas formas de produzir.

Se 2025 foi um ano de ajustes, 2026 será um ano de escolhas.
E a diferença entre sobreviver e crescer estará menos no que planejamos e muito mais em como decidimos liderar.

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