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Um dia antes do início da guerra entre o grupo Hamas e Israel, em 6 de outubro, o contrato futuro do ouro com vencimento para dezembro deste ano estava cotado a U$ 1.845,20 por onça-troy, de acordo com a New York Mercantile Exchange (Nymex). No fechamento desta quarta-feira, 18, o contrato da commodity valia US$ 1.968,30, uma alta de 6,67%.

A valorização, segundo Lucas Rufino, CEO e fundador da Simpla Invest, é reflexo da alta demanda que ocorre pela aversão ao risco do mercado, com investidores buscando ativos mais seguros. Entretanto, ele alerta: “Apesar do ouro ser uma forma de se proteger da inflação no longo prazo, é importante que o investidor saiba que o ativo é renda variável e tende a ter variações ao longo do tempo, inclusive com as oscilações do dólar”.

A guerra chega nesta quinta-feira, 19, ao seu 13º dia. Na data de ontem, as tensões ganharam um novo capítulo com a visita de Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, a Israel. A ida da autoridade americana acontece logo após a explosão de um hospital na Faixa de Gaza, quando pelo menos 200 pessoas foram mortas no bombardeio, segundo estimativas preliminares.

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Preço do metal é influenciado por outros fatores

Apesar do conflito no Oriente Médio estar influenciando a cotação do ouro, outros fatores impactam o valor da commodity. Celso Grisi, professor da FIA Business School, explica que o ouro costuma se mover na direção oposta ao dólar. Nesta quarta, a divisa americana fechou em queda de 0,37% aos R$ 5,054.

O professor ainda acrescenta que a oferta e demanda, já que é um recurso finito, e a inflação também impactam na volatilidade do metal amarelo. “De modo geral, o preço do ouro aumenta quando a economia, como agora, está em baixa. Seu uso mais adequado se faz para equilibrar investimentos mais arriscados na carteira do investidor, ao mesmo tempo que o protegem contra a inflação que corrói o valor das suas poupanças”, diz.

Além disso, as expectativas de que os juros dos Estados Unidos se mantenham altos por mais tempo e o endividamento crescente do tesouro americano geram incertezas sobre a trajetória futura do ouro. No fim da tarde desta quarta, o T10 (título com vencimento dentro de 10 anos) subia 4,89%.

Por que o ouro é seguro?

O economista André Perfeito explica que a commodity é considerada segura pela alta liquidez, ou seja, o ouro é amplamente aceito em qualquer parte do mundo. Isso garante ao investidor uma segurança que ele poderá vender ou comprar com facilidade. Contudo, o especialista destaca que o ativo, por si só, não vale nada, já que não paga juros ou dividendos.

“Um árabe, um judeu, um cristão, um americano, um brasileiro, um francês, um coreano, todo mundo aceita ouro. Isso faz com que ele tenha um prêmio pela liquidez muito elevado. Se todo mundo fica com receio, corre para algo que todo mundo conhece e confia. No caso, o ouro. Essa é a relação”, afirma.

Vale a pena investir em ouro agora?

Por conta da somatória dos fatores como a falta de rendimento do ouro e as relações inversas com o dólar e a economia mundial, o olhar pela guerra entre Israel e o grupo Hamas como fator decisório para o investimento ou não na commodity deve ser, de acordo com Perfeito, no sentido da especulação se o conflito irá piorar. “Eu sugiro cautela a respeito do mercado de ouro, porque nem sempre ele anda linearmente com um aumento de conflito”, afirma.

Já Rufino afirma que vale a pena investir em ouro, justamente pela característica de proteção que ele representa à carteira. “A precificação do ouro, no longo prazo, tende a acompanhar o avanço da inflação. Por outro lado, o investidor precisa estar ciente de que o metal é uma commodity e apresenta ciclos de mercado, ora em alta, ora em queda”, comenta.

Segundo o especialista, o melhor jeito de investir em ouro é através da bolsa de valores com os fundos de índices, os chamados ETFs. Desta forma, não é necessário comprar ouro físico. Em uma corretora brasileira, Rufino cita o exemplo do ETF GOLD11. Já em uma corretora estrangeira é possível através do ETF IAU.

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