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Pouquíssimos eram os analistas do mercado que estavam otimistas com o setor de varejo no início do ano. Além do cenário econômico, a concorrência pesada com a Shein manteve os investidores na defensiva. A maior cautela, fundamentada por taxas de juros mais altas e incerteza quanto à atividade econômica, se mostrou assertiva. No ano, o principal índice de consumo da bolsa brasileira, o ICON, acumula menos de 3% de alta, enquanto o Ibovespa já subiu mais de 16%. Mas uma varejista tem nadado contra a corrente.

Fora dos holofotes do Ibovespa, a C&A (CEAB3) desponta como uma das empresas com maior valorização de toda a bolsa de valores. A ação da C&A acumula alta de 270% no ano, sendo cotada próxima de R$ 8,40. As ações de suas principais concorrentes, Marisa, Lojas Renner e Guararapes, acumulam queda em 2023.

O melhor desempenho na bolsa é reflexo do desempenho entregue pela C&A durante o ano, superior ao da concorrência. Entre as quatro varejistas de moda, a C&A (CEAB3) foi a que teve maior ganho de receita com vestuário, com alta de 6,5% nos três primeiros trimestres. A empresa também foi a que apresentou o melhor resultado líquido, reduzindo seu prejuízo em 21,6% no período. Sua margem bruta aumentou 2,5 pontos percentuais para 52,0%.

O lucro líquido da Renner caiu 44,5% nos nove primeiros meses do ano, enquanto os prejuízos da Guararapes e Marisa aumentaram 425% e 80%, respectivamente no período.

Por que as ações da C&A (CEAB3) dispararam neste ano?

"Investidores estavam precificando um cenário bastante pessimista para a C&A e para outras empresas do setor, devido ao cenário macroeconômico. Mas a companhia conseguiu utilizar este ano para melhorar a rentabilidade", diz Lucas Rietjens, analista da Guide Investimentos.

O menor ritmo de expansão e otimização do capital de giro foram peças-chave na retomada da C&A, segundo Rietjens.

O Capex da C&A, montante reservado para investimentos, caiu 53% para R$ 180 milhões em relação aos três primeiros trimestres de 2022. Seu fluxo de caixa, que estava negativo em R$ 621 milhões no mesmo período do ano passado, tornou-se positivo em R$ 76,9 milhões.

A redução do Capex, explicou a empresa em resultado do terceiro trimestre, foi possível graças à priorização de projetos. Tecnologia e digitalização seguiram como principal frente de investimento, com R$ 93,3 milhões investidos de janeiro a setembro, mas com queda de 23% em relação ao mesmo período de 2022. Gastos com novas lojas caíram 71%. Na comparação anual, a dívida da companhia caiu 28% para R$ 1,7 bilhão, sendo mais de dois terços de longo prazo.

Na frente de vendas, os destaques ficaram com as peças femininas. O aumento da receita em vestuário foi de 12,6% no terceiro trimestre. Parte do crescimento foi puxado pelas lojas com maior exposição ao público de maior renda, que tiveram lançamento de coleções exclusivas.

"Era uma empresa em situação difícil, com o mercado precificando o pior cenário. Mas ela conseguiu retomar rentabilidade, o que contribuiu muito para sua valorização na bolsa", comentou o analista.

Ainda há espaço para mais?

Embora a valorização dos papéis da C&A (CEAB3) seja justificada pela melhora operacional da companhia, o mercado não vê grande espaço para as ações subirem muito mais. De 8 análises compiladas pela plataforma TradeMap, apenas uma recomenda a compra, enquanto sete têm recomendação neutra para o papel. Todos os preços-alvos estipulados pelos analistas estão abaixo da cotação da empresa.

Entre os analistas com recomendação neutra para a ação da C&A estão os do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da Exame), com preço-alvo de R$ 7 por ação. Em relatório, o banco admite que o resultado da companhia tem melhorado, mas alguns fatores ainda ensejam cautela. Entre eles, os analistas citam o risco atrelado à menor renda disponível de seus consumidores e o menor poder de precificação em comparação com varejistas mais voltados ao público de renda mais elevada.

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