Dólar a R$ 4,50: Para economista, patamar deve ser alcançado nos próximos meses (Designed by/Freepik)
Editor de Invest
Publicado em 21 de abril de 2026 às 13h03.
A guerra entre os Estados Unidos e o Irã pode ser o gatilho para uma das maiores valorizações do real dos últimos anos. É o que diz Robin Brooks, pesquisador sênior da Brookings Institution e ex-estrategista-chefe de câmbio do Goldman Sachs, em artigo recente no qual projeta o dólar abaixo de R$ 4,50.
O ponto de partida da tese é político. Para Brooks, dois elementos já estão claros: Washington quer que a guerra termine o mais rápido possível, e o Irã mostrou seu poder sobre o Estreito de Ormuz. O objetivo das negociações, segundo ele, é "encontrar uma saída honrosa que permita a ambos os lados, especialmente aos EUA, dizer 'missão cumprida'".
O motivo da pressa americanas são as eleições de meio de mandato. Com esse prazo político no horizonte, uma escalada catastrófica sai de cena e os mercados ficam livres para retomar posições de risco, afirma o economista.
Robin Brooks também foi economista-chefe do Institute of International Finance (IIF) e ficou conhecido nas redes como 'o careca do Goldman' (Dimas Ardian/Bloomberg)
Brooks lembra o que ocorreu em 2022 como um precedente. Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, o Brent subiu 40% no primeiro trimestre e o real se valorizou 20%, tornando-se a moeda de melhor desempenho entre os emergentes.
"Uma vez que os mercados perceberam que as coisas não iam espiralar fora de controle, o real brasileiro — uma moeda que tende a se valorizar com força quando o apetite global por risco aumenta — decolou de forma expressiva", escreve. Para ele, esse movimento está se repetindo agora.
A projeção de R$ 4,50 como "valor justo" para o câmbio não é nova — Brooks a mantém há anos. O que muda, na sua avaliação, é a probabilidade de ser atingida. "Em 2022, nunca chegamos a ficar abaixo do meu valor justo de R$ 4,50, mas acho que isso é o que está em curso agora. Acredito que, nos próximos meses, vamos ver o dólar finalmente abaixo desse patamar", conclui.