Ibovespa pós-feriado: dos 82 papéis do índice, 49 operavam em baixa, com destaque para Embraer, IRB, Cogna e Braskem, que caíam mais de 2% (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 22 de abril de 2026 às 10h35.
O Ibovespa abriu em leve queda nesta quarta-feira, 22. Por volta das 10h40, o principal índice da B3 recuava 0,56%, aos 195.035 pontos, com a maioria das ações no campo negativo.
Dos 82 papéis do índice, 40 operavam em baixa, com destaque para Embraer, IRB, Cogna e Braskem, que caíam mais de 2%, as maiores perdas até o momento. Na ponta oposta, as petroleiras avançavam, com Prio liderando os ganhos, ao subir mais de 3%, seguida por PetroRecôncavo, Brava Energia e Petrobras.
Apesar da alta da estatal, as demais bluechips, papéis de grandes empresas que têm peso no índice, recuam, com destaque para Vale (VALE3), que cai 0,53% e os bancões.
No câmbio, o dólar recuava frente ao real depois de abrir o dia praticamente estável, caindo 0,23%, a R$ 4,963.
O pano de fundo segue marcado por um cenário externo ainda relativamente construtivo, mas longe de oferecer conforto pleno aos investidores.
A trégua entre Estados Unidos e Irã continua evitando uma deterioração mais aguda na percepção de risco global, embora a ausência de novos avanços limite uma valorização mais consistente de ativos considerados mais arriscados, como moedas de mercados emergentes.
A extensão do cessar-fogo envolvendo o Irã ajuda a reduzir parcialmente o prêmio de risco e traz algum alívio marginal ao petróleo. Ainda assim, o ambiente permanece sensível, diante de ataques no Estreito de Ormuz e das tensões entre Israel e Hezbollah, que mantêm no radar o risco de interrupções logísticas e energéticas. Na prática, o mercado opera em um regime híbrido, com melhora tática no risco, mas ainda sob um prêmio estrutural elevado.
No campo monetário internacional, declarações de Kevin Warsh adicionam uma camada extra de incerteza. O ex-diretor do Federal Reserve (Fed), que deve ser o próximo presidente do banco central dos EUA, defendeu mudanças no arcabouço de política monetária e criticou a condução pós-pandemia, levantando dúvidas sobre a comunicação e a trajetória futura dos juros.
Embora tenha citado possíveis ganhos de produtividade via inteligência artificial como fator que poderia permitir cortes no futuro, o efeito imediato é de maior cautela por parte dos agentes.
No Brasil, o cenário doméstico segue desafiador. As expectativas de inflação para 2026 voltaram a subir, para a casa de 4,7%, reforçando a perspectiva de manutenção de uma política monetária restritiva por mais tempo. No campo fiscal, apesar da meta de superávit primário de 0,25% do PIB para 2026, as projeções indicam resultado negativo, em torno de -0,4%, ao considerar a exclusão dos precatórios.
Para 2027, a discrepância entre meta e execução também persiste, enquanto a frustração na arrecadação da tributação sobre dividendos aumenta o ruído sobre a credibilidade fiscal, pressionando a curva de juros e os ativos domésticos.