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NTN-B do Tesouro está pagando IPCA+6; vale a pena investir?

Rendimento de notas do Tesouro está próximo do maior patamar desde o início do ano passado; riscos internos e externos pressionaram alta da taxa

IPCA: Títulos do Tesouro estão pagando 6% acrescido de taxa oficial de inflação (	Rmcarvalho/Getty Images)

IPCA: Títulos do Tesouro estão pagando 6% acrescido de taxa oficial de inflação ( Rmcarvalho/Getty Images)

Guilherme Guilherme
Guilherme Guilherme

Repórter de Invest

Publicado em 22 de abril de 2024 às 16h46.

Última atualização em 23 de abril de 2024 às 14h22.

A alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro atrelados a inflação nas últimas semanas colocou levantou o questionamento sobre se esses títulos não estariam pagando bem demais para serem ignorados. As NTN-B (Notas do Tesouro Nacional Série B), como são chamados esses títulos, estão pagando um retorno anual próximo de IPCA+6%.

Levantamento divulgado pela Quantum Finance mostra que, na média, esses títulos só pagaram uma rentabilidade tão alta em 24,3% do tempo nos últimos dez anos. A última vez havia sido em 2023, quando grandes incertezas sobre o novo arcabouço fiscal e discursos mais populistas  do governo mantinham investidores mais cautelosos.

Histórico de rendimento Tesouro IPCA + 2035 (Tesouro Direto/Reprodução)

Surpresas positivas sobre a condução fiscal e a expectativa de queda de juros em economias desenvolvidas fizeram a taxa das NTN-B caírem no ano passado. Mas, desde o início do ano, as taxas já aumentaram 10%.

"IPCA+6% é um nível de remuneração muito alto, quase insustentável. É muito difícil bater inflação+6% em qualquer lugar do mundo", disse Alexandre Silverio, CEO da Tenax Capital, em entrevista recente à Exame Invest.

Abertura das taxas

A abertura da taxa ganhou força a partir de março e bateu máxima no ano na semana passada. Desta vez, três três razões principais impulsionaram a recente alta dos rendimentos das NTN-B: a expectativa de que o Estados Unidos demore mais para iniciar os cortes de juros, riscos associados aos conflitos nos Oriente Médio e mudança da meta fiscal brasileira para os próximos anos.

Odilon Costa. head de renda fixa da SWM, acredita que essa taxa deverá arrefecer gradualmente, o que pode abrir oportunidades nesse mercado.

"São raros os momentos em que o título público pagou taxas reais tão altas quanto agora. Esse IPCA+6% deve arrefecer gradualmente, mas é importante frisar que o cenário é de maior cautela", afirma Odilon Costa, head de renda fixa da SWM.

Histórico de rendimento de 90 dias do rendimento do Tesouro IPCA + 2035 (Tesouro Direto/Reprodução)

Uma eventual queda dessa taxa, por outro lado, tende a gerar retornos positivos para quem tiver posição no ativo, dada a marcação a mercado. De modo geral, quanto maior for o prazo de vencimento, maior tende a ser esse efeito sobre o preços dos títulos. Até por isso, Costa vê uma melhor relação risco/retorno em uma carteira composta por títulos com prazos curtos, de até 4 anos, e intermediários, de até 8. "Assim, o investidor consegue aproveitar a remuneração alta, mas sem se expor a um grande risco de mercado. O mercado de renda fixa deve permanecer volátil nos próximos dias até haver maior clareza sobre os conflitos no Oriente Médio e a trajetória fiscal do Brasil."

Embora considere a remuneração das NTN-B atrativa, Costa avalia que há oportunidades ainda maiores em títulos incentivados atrelados ao IPCA. "Existem títulos isentos de emissores tiple A pagando IPCA + 6,20%." Além do retorno elevado, segundo ele, esses títulos são os que oferecem a melhor proteção contra a alta da inflação. "Na NTN-B, a inflação é tributada. Então, quanto maior for a inflação, menor é o retorno líquido real do ativo."

As NTN-B possuem tributação regressiva, que varia entre 22,5% e 15% sobre a remuneração do papel. Já os títulos isentos, como o nome sugere, não são tributados. Entre eles, estão LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas.

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