Petróleo: guerra no Irã pressiona preços da commodity. (Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 24 de abril de 2026 às 08h41.
O clima nos mercados globais é de cautela no fim da semana. O petróleo encostou nos US$ 107 por barril nesta sexta-feira, 24, com a piora da guerra no Irã, cujo fim voltou a ficar mais incerto.
Em cinco pregões, o petróleo já acumula alta de mais de 17%, no maior avanço semanal desde o início da crise, em março, de acordo com informações divulgadas pela Reuters.
O foco da tensão segue sendo o Estreito de Ormuz, um dos principais corredores do petróleo no mundo, que voltou ao radar após relatos de interrupções no tráfego de navios.
O Irã divulgou imagens de militares abordando um cargueiro na região. Ao mesmo tempo, surgiram relatos de que sistemas de defesa aérea do país teriam sido acionados contra alvos considerados hostis.
Já o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, disse que ordenou à Marinha que atire contra embarcações iranianas envolvidas na instalação de minas e que intensifique a retirada desses explosivos da área.
A fala contrasta com o discurso de poucos dias atrás, quando o próprio Trump indicou que o cessar-fogo poderia ser estendido por tempo indeterminado para abrir espaço a negociações.
Trump admitiu, ainda, que a gasolina vai ficar mais cara no curto prazo.
"A semana terminou com uma escalada após uma desescalada, o que amenizou um pouco o clima de tensão", explicou o estrategista-chefe de mercado na empresa de planejamento financeiro Wren Sterling, Rory McPherson.
Nem tudo, porém, foi queda. O destaque positivo segue sendo o setor de tecnologia estadunidense. O S&P 500 de tecnologia sobe 16% em abril e caminha para o melhor mês desde 2002.
O diretor de investimentos do Portfolio Solutions Group da Morgan Stanley Investment Management, Jim Caron, pontou que o mercado pode estar olhando demais para os riscos.
"Acho que as pessoas não falam o suficiente sobre os aspectos positivos do mercado, e também existe um risco de alta ainda maior", acrescentou.
Os futuros dos EUA também indicavam leve ganho. Por outro lado, na Europa, o pregão começou no vermelho de forma mais disseminada. Na Ásia, o Nikkei fechou em alta de quase 1%.
No câmbio, o dólar ganha força e deve fechar a semana em alta, impulsionado pela busca por proteção, segundo fontes ouvidas pela Reuters.
O iene é o principal termômetro dessa tensão, pois a moeda se aproxima de 160 por dólar, um nível sensível que já coloca o governo japonês em estado de alerta.
O ministro das Finanças, Satsuki Katayama, voltou a dizer que o país pode agir de forma "decisiva" contra movimentos considerados especulativos.
Analistas apontam que o feriado da Golden Week, no início de maio, pode abrir uma janela para intervenção, já que a liquidez tende a cair. Se isso ocorrer, o iene pode reagir rápido.
O euro ficava estável, enquanto a libra avançava um pouco frente ao dólar. Já entre outros ativos, o ouro recuava levemente, para US$ 4.688 a onça.
Banco do Japão, Federal Reserve, Banco Central Europeu e Banco da Inglaterra têm reuniões marcadas para a próxima semana. No caso do Japão, a aposta majoritária é de manutenção dos juros.
A expectativa é entender, no geral, como essas autoridades estão enxergando o impacto do conflito sobre a inflação e o crescimento econômico, segundo informações divulgadas pela Reuters.