Petrobras rejeita oferta por refinaria, Cade aprova fusão de brMalls-Aliansce e o que move o mercado

Ibovespa irá iniciar pregão desta sexta no menor patamar desde o fim de setembro; riscos fiscais seguem no radar de investidores
 (Dado Galdieri/Bloomberg)
(Dado Galdieri/Bloomberg)
Guilherme Guilherme
Guilherme Guilherme

Publicado em 18/11/2022 às 07:41.

Última atualização em 18/11/2022 às 08:12.

A bolsa brasileira irá começar o pregão desta sexta-feira, 18, com o Ibovespa no menor patamar desde antes do primeiro turno das eleições, após a PEC da Transição ter exacerbado os temores fiscais do mercado. A proposta, entregue nesta semana ao Congresso, prevê a retirada permanente do Bolsa Família do teto de gastos, com impactos fiscais extra-teto estimados em quase R$ 200 bilhões.

O medo é de que o aumento de gastos provoque um desequilíbrio na dívida pública, aumentando o risco de novos empréstimos no país. Para parte dos investidores, as sinalizações de menor responsabilidade fiscal devem colocar em risco até mesmo as quedas de juros que vinham sendo previstas para o ano que vem, prolongando ainda mais as pressões monetárias sobre a economia e, consequentemente, deteriorando as projeções de crescimento do país.

No último pregão, o Ibovespa chegou a cair mais de 2%, com as perdas sendo amenizadas apenas após a renúncia do ex-ministro Guido Mantega da equipe de transição do novo governo. Mantega foi ministro da Fazenda durante o primeiro mandato da ex-presidente Dilma Rousseff, que não traz lembranças nada boas aos investidores.

Com o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva a expectativa do mercado é um pouco diferente. Mas parte de sua credibilidade, que chegou a impulsionar a bolsa e o real após ser eleito, já vem sendo corroída pela PEC e pela falta de informações sobre quem, afinal, será o ministro da Fazenda e qual plano (se é que haverá algum) deverá substituir a atual âncora fiscal do teto de gastos. Lula pode estar guardando uma carta na manga, mas a cada dia de incerteza piores se tornam as perspectivas para a economia brasileira.

Ainda que as altas do mercado internacional desta manhã contribuam com a recuperação do Ibovespa nesta sexta, dificilmente o principal índice da B3 reverterá as perdas de 2,27% acumuladas desde segunda-feira, 14. Somada às perdas das semana passada, a queda acumulada em duas semanas é de mais de 7%, sendo que a performance da bolsa desde que Lula foi eleito está negativa em mais de 4%.

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Desempenho dos indicadores às 7h40 (de Brasília):

  • Dow Jones futuro (Nova York): + 0,43%
  • S&P 500 futuro (Nova York): + 0,59%
  • Nasdaq futuro (Nova York): + 0,73%
  • DAX (Frankfurt): + 1,08%
  • CAC 40 (Paris): + 1,15%
  • FTSE 100 (Londres): + 0,98%
  • Stoxx 600 (Europa): + 1,03%
  • Hang Seng (Hong Kong): - 0,29%

Petrobras (PETR4) à espera do "momento adequado"

A Petrobras emitiu um fato relevante na última noite para anunciar a rejeição de uma proposta vinculante para a venda da Refinaria Gabriel Passos (REGAP). Segundo a empresa, "as condições da proposta apresentada ficaram aquém da avaliação econômico-financeira da Petrobras". É sabido, no entanto, que o novo governo é contra os planos de desinvestimento da estatal. Segundo o fato relevante, "a companhia avaliará o momento adequado para iniciar novo processo competitivo".

Cade aprova fusão de Aliansce Sonae (ALSO3) e brMalls (BRML3)

A combinação de negócios entre brMalls e Aliansce Sonae foi aprovada sem restrições pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Mas a estimativa das administrações é de que a operação seja concluída apenas em janeiro de 2023, tendo em vista que as demais condições suspensivas ainda estão sendo concluídas.