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Os desafios do Bradesco (BBDC4) para além de troca do CEO e das falhas do aplicativo

Analistas não veem solução de curto prazo para o banco, que é um dos maiores do país; inadimplência em alta é barreira para Noronha acelerar carteira de crédito

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Bradesco: banco trocou CEO de forma inesperada; mercado vê "senso de urgência" (Paulo Fridman/Bloomberg)

Bradesco: banco trocou CEO de forma inesperada; mercado vê "senso de urgência" (Paulo Fridman/Bloomberg)

O Bradesco (BBDC4), um dos maiores e mais tradicionais bancos do país, vem promovendo uma reviravolta dentro de casa. Na última semana, o Conselho de Administração quebrou uma tradição da empresa e anúncio a saída inesperada do CEO Octavio de Lazari Júnior. Normalmente, no Bradesco, o CEO sai apenas quando se aposenta. O  estatuto do banco define 65 anos como limite de idade do CEO. Lazari tem 59 anos. Em seu lugar, entrou Marcelo Noronha, com 58 anos e duas décadas de casa.

No mercado, as primeiras reações às mudanças feitas pelo Bradesco têm sido positivas. Em seis pregões, as ações do banco subiram 6%. Mas os desafios, segundo analistas, não deverão ser resolvidos no curto prazo.

"Mesmo com um Noronha altamente competente no comando, a recuperação será longa e, a nosso ver, difícil", escreve em relatório analistas do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da Exame).

O jogo das cadeiras, porém, não parou por aí, se estendendo para esta semana, com as saídas de mais dois executivos da alta cúpula do Bradesco: o vice-presidente Eurico Fabri e a diretora executiva Walkiria Schirrmeister Marchetti. Para piorar, o banco ainda sofreu instabilidades em seu aplicativo nos últimos, gerando reclamações por parte dos clientes. Só que os problemas do Bradesco, ao que tudo indicam, vão bem além das falhas de tecnologia e da troca de comando ainda que passem por eles

Alta da inadimplência e carteira de crédito

Crescimento da inadimplência, desaceleração da carteira de crédito, aumento de provisões contra perdas e queda no retorno sobre capital (ROE, na sigla em inglês) são fatores que têm atormentado o desempenho do Bradesco. Essa crise se arrasta há mais de um ano e remete ao terceiro trimestre do ano passado. Logo após aquele resultado, as ações do banco tombaram 17%, causando uma perda de R$ 30,7 bilhões em seu valor de mercado.

Desde então, o Bradesco tem apresentado quedas sucessivas em seu lucro líquido e, na bolsa, seu valor de mercado nunca mais voltou ao que era.  Nesse meio tempo, o banco ainda sofreu com a crise da Americanas, que a um aumento de bilhões em provisões contra perdas. "Mas mesmo sem o efeito Americanas, o desempenho do Bradesco seria ruim", diz Bruno Benassi, especialista em ações da Monte Bravo Corretora.

Benassi aponta que os principais erros do Bradesco foi na concessão de crédito. "Foi uma política bastante equivocada, que resultou no aumento da inadimplência. O Santander passou por algo parecido, mas conseguiu sair mais rapidamente. No caso do Bradesco, não é algo que dê para resolver de um trimestre para o outro."

A inadimplência do Bradesco acima de 90 dias encerrou o terceiro trimestre em 5,6% da carteira. Em termos proporcionais, o crescimento anual foi de 43%. O banco, por ter exposição a clientes de mais baixa renda, é mais sensível a variação das taxas de juros e da atividade econômica.

Essa piora se reflete especialmente sobre as despesas com provisão contra devedores duvidosos (PDD), quantia reservada contra calote, que acumula R$ 29,3 bilhões nos três primeiros trimestres do ano. O montante já representa quase a totalidade de todo o PDD de 2022, que, mesmo influenciado pelo fator Americanas (que provocou R$ 4,9 bilhões em PDD), terminou em R$ 34,3 bilhões. A previsão do Itaú BBA é de que o Bradesco encerre o ano om R$ 36,5 bilhões a R$ 39,5 bilhões em PDD.

Para tentar controlar a inadimplência, o Bradesco tem tirado o pé da concessão de empréstimos. Sua carteira de crédito encerrou em R$ 877,5 bilhões no terceiro trimestre, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano passado. Frente à carteira do fim de 2022, ainda houve retração de 2%.

"O Bradesco, hoje, ocupa a pior posição entre os bancos incumbentes. Essas trocas sinalizam um senso de urgência, um choque de gestão. Marcelo Noronha e um executivo muito respeitado e competente. Mas ainda há dúvidas quanto ao que ele fará de diferente", afirma Milton Rabelo, analista da Research VG "Essa é a encruzilhada do Bradesco: controlar a inadimplência para voltar a acelerar a carteira de crédito", comentou.

O terceiro trimestre, ao menos, mostrou algum alívio, com estabilização dos níveis de inadimplência. Em relação ao trimestre anterior, houve queda de 0,1 ponto percentual nos casos de atrasos de mais de 90 dias. "Esse pode ter sido um ponto de inflexão, mas ainda precisamos esperar pelos próximos resultados", pontua Benassi.

"Seguros é o que salva"

Além dos fatores internos, Benassi acrescenta a expansão do Nubank como ameaça por ter clientes de perfil semelhantes aos do Bradesco. "A concorrência com o Nubank é maior no Bradesco no que nos outros grandes bancos, que estão mais bem preparados do lado digital e com outras verticais de negócios mais fortes, como de investment banking e de gestão", disse.

O que tem "salvado" o balanço do Bradesco, de acordo com os especialistas, é a divisão de seguros. "Seguros é algo que o Bradesco, com certeza, faz melhor do que os outros bancos", comentou Rabelo. No terceiro trimestre, a divisão de Seguros, Previdência e Capitalização teve um resultado de R$ 4,624 bilhões, 33% acima do registrado no mesmo período do ano passado. O resultado  sozinho superou todo o lucro recorrente do banco no terceiro trimestre, que ficou em R$ 4.621 bilhões, 11% abaixo do mesmo período de 2022.

"A divisão de seguros está redonda. Mas Noronha terá a missão de retomar a frente bancária do Bradesco. O executivo é bom, mas não será fácil", comenta Benassi.

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