Marfrig dispara 4% antes de balanço; banco eleva preço-alvo e reitera compra da ação

Em relatório, Credit Suisse reforça a ação MRFG3 como sua favorita no setor de frigoríficos, vendo um potencial de valorização de 53%
 (Marfrig/Divulgação)
(Marfrig/Divulgação)
Paula Barra
Paula Barra

Publicado em 08/03/2021 às 12:06.

Última atualização em 08/03/2021 às 19:23.

As ações da Marfrig (MRFG3) sobem 3,67% nesta segunda-feira, 8, liderando os ganhos do Ibovespa, antes da divulgação do seu balanço do quarto trimestre, após o fechamento deste pregão. Os investidores repercutem também um relatório do Credit Suisse, com data de ontem, que reitera a ação da companhia como sua favorita no setor de frigoríficos, além de elevar o preço-alvo de 20,00 reais para 23,00 reais.

A nova meta corresponde a um potencial de valorização de 53,5% para os papéis MRFG3 frente ao fechamento da última sexta-feira. A recomendação foi reforçada em outperform, equivalente a compra.

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Os analistas Victor Saragiotto e Felipe Vieira, que assinam o relatório do Credit Suisse, apontam que "há muitas razões para ficar otimista com MRFG3".

"Em nossas conversas com investidores, a maioria deles parece permanecer fora de MRFG3. Embora entendamos as razões pelas quais os investidores parecem ser menos construtivos nessa tese de investimento, especialmente no que diz respeito à alta alavancagem que a companhia tinha no passado e ao forte impulso para o crescimento por meio de fusões e aquisições, devemos reconhecer que as coisas mudaram", escreveram.

Segundo eles, desde 2018, quando adquiriu a National Beef, a empresa vem se destacando.

Nesse sentido, Saragiotto e Vieira elencam oito motivos para estarem otimistas com as ações. São eles: um) para os analistas, a National Beef supreenderá novamente; dois) as margens dos negócios na América do Sul estão em um novo patamar estrutural; três) eles veem perspectiva de mais revisões para cima nas expectativas de lucro da empresa pelo consenso do mercado; quatro) a companhia tem exposição de sua receita ao dólar.

Além disso, eles apontam: cinco) que a Marfrig tem executado bem a gestão do seus passivos; seis) as metas estratégicas estão sendo cumpridas; sete) o processo de desalavancagem, na visão deles, é a melhor estratégia; e oito) uma boa combinação de retorno sobre o fluxo de caixa e múltiplos.

Os analistas comentam que esperam um retorno (yield) de fluxo de caixa da companhia de 20,9% para este ano e um múltiplo de valor da firma sobre o Ebitda (EV/Ebitda, na sigla em inglês) de 3,6 vezes. Para 2022, eles veem as ações negociando a um EV/Ebitda de 4,2 vezes. "O que, em nossa opinião é bastante atraente", reforçam.

Segundo os analistas, olhando para mercado brasileiro de carne bovina, os produtores de proteína animal ainda deverão sofrer com pressões nas margens, diante de uma demanda internacional que deve permanecer forte e oferta de gado no Brasil aparentemente apertada. No entanto, eles dizem que, como a Marfrig tem cerca de 10% de exposição no mercado brasileiro, isso não é uma grande preocupação para a tese de investimento na empresa.

Já para o cenário internacional, eles veem um momento bem positivo para a demanda por carne bovina, apotando que, nos Estados Unidos, uma boa perspectiva para a vacinação da população americana deve acelerar a recuperação, com uma normalização gradativa no serviço de alimentos.

"Como a empresa possui 80% de exposição ao mercado de carne dos EUA, acreditamos que a Marfrig terá mais um ano incrível (este será o quarto ano, e contando), o que ajuda a sustentar nossa visão positiva para a companhia".

Além disso, eles apontam uma dinâmica favorável com o crescente volume de carne bovina exportado também para a China. Para os analistas, este ano provavelmente será marcado pela maior importação de carne bovina da história da China, com um aumento de 2,8% na comparação anual, para 2,8 milhões de toneladas.

No acumulado do ano, as ações da Marfrig registram alta de 7,31%, contra uma queda de 7,62% do Ibovespa. Nos últimos 12 meses, a valorização é de 38,28%, frente a uma alta de 15,70% do índice.