Magazine Luiza (MGLU3), Via (VIIA3) e Americanas (AMER3) sobem até 11%; entenda

Varejistas voltam a ser destaque em dia de rotação de portfólio e dados positivos em serviços
 (Leandro Fonseca/Exame)
(Leandro Fonseca/Exame)
Beatriz Quesada
Beatriz Quesada

Publicado em 12/07/2022 às 14:51.

Última atualização em 12/07/2022 às 23:29.

As ações de Magazine Luiza (MGLU3), Via (VIIA3) e Americanas (AMER3) dispararam até 11% na bolsa nesta terça-feira, 12, e voltam a liderar os ganhos do Ibovespa após serem destaques na semana passada.

Analistas avaliam que a alta se deve a uma rotação no portfólio dos investidores que estão voltando a olhar para ações descontadas da bolsa — em especial do varejo — à medida que nomes mais resilientes, como os ligados às commodities, sofrem perdas.

"Acredito que estejam oportunidade em ativos descontados e com precificação de uma diminuição inflacionária a frente, com recuo dos preços de combustíveis e energia, e marginalmente alguma melhor na renda da população e consumo", avalia Regis Chinchila, analista da Terra Investimentos.

O analista destaca ainda a proximidade da aprovação da PEC que cria benefícios em ano eleitoral. Com um cheque de R$ 41 bilhões fora do teto, a proposta pode beneficiar o varejo.

"Existe a expectativa de que o setor de varejo se beneficie no curto prazo com os novos auxílios e incremento nos já vigentes. Alguns ativos do varejo também estão bem descontados, isso torna possível as grandes extensões de preço", diz.

Mesmo com a alta de hoje, os papéis do Magalu ainda recuam 58% no ano e só perdem para a Méliuz (CASH3) na disputa pelo pior desempenho do Ibovespa em 2022 — Méliuz recua 62% no mesmo período. Via, por sua vez, cai 50% no acumulado do ano, enquanto Americanas recua 44%.

No radar dos investidores ainda estão dados nacionais do setor de serviços. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou mais cedo um crescimento de 0,9% no volume do setor de serviços na comparação mensal com ajuste sazonal.

Os dados corroboram com a melhora das expectativas para a economia local medidas no boletim Focus, que voltou a ser divulgado na segunda-feira, 11. O mercado reduziu a projeção para o IPCA, considerado a inflação oficial do Brasil. A previsão para o IPCA de 2022 passou de 7,96% para 7,67%, enquanto a estimativa de 2023 subiu de 5,01% para 5,09%.

Com revisões para cima das projeções da atividade brasileira e de inflação para baixo, ações de empresas mais ligadas à economia local ganham força.