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Magazine Luiza (MGLU3) e Via (VIIA3) desabam após balanço e Americanas (AMER3) toca mínima em 5 anos

Maiores empresas de e-commerce do Brasil registraram prejuízos no terceiro trimestre; soma das perdas supera meio bilhão de reais

E-commerce: varejistas registram prejuízo no 3º tri (GettyImages/Getty Images)

E-commerce: varejistas registram prejuízo no 3º tri (GettyImages/Getty Images)

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Guilherme Guilherme

11 de novembro de 2022, 14h09

As ações das principais varejistas de e-commerce do Brasil apresentaram fortes quedas no pregão desta sexta-feira, 11, após a divulgação de balanços do terceiro trimestre. Na mínima do dia, Magazine Luiza (MGLU3), Americanas (AMER3) e Via (VIIA3) chegaram a cair 9,30%, 8,15% e 4,26%, respectivamente. As perdas foram atenuadas em meio à forte alta do Ibovespa, que chega a saltar mais de 2%, mas a avaliação do mercado é de que os resultados passaram longe de serem positivos.

As três empresas tiveram prejuízos no terceiro trimestre, que, juntos, superam meio bilhão de reais, revertendo os lucros do mesmo período do ano passado. Entre elas, o Magazine Luiza foi a única que teve crescimento de receita. Mas a ligeira alta de 2% não foi suficiente para atender às expectativas do mercado -- e menos ainda para impedir o prejuízo líquido, que ficou em R$ 146 milhões.

Analistas do Goldman Sachs classificaram o balanço do Magalu como "sem inspiração". "Ficou abaixo das expectativas relativamente pouco exigentes, com receitas e Ebitda recorrentee 5% abaixo do Visible Alpha Consensus Data, e uma perda líquida que também foi significativamente maior do que o esperado", afirmaram em relatório.

As ações do Magalu são as que mais caem entre as principais varejistas nesta tarde. Negociados próximos de R$ 3,70, os papéis caem cerca de 7%, mas seguem 80% acima da mínima do ano, de R$ 2,03.

Americanas vai à mínima desde 2017

A Americanas, que registrou prejuízo líquido de R$ 212 milhões no terceiro trimestre, o maior entre seus pares, foi negociada no menor patamar desde 2017 nesta sexta, a R$ 11,61. A companhia apresentou perda de desempenho em praticamente todos seus indicadores, com queda de 8,3% no GMV total, de 14,5% na receita líquida e de 21,6% no Ebitda ajustado.

Para o Goldman Sachs, o resultado da Americanas foi "tão fraco quanto o temido". Já o Itaú BBA, que estava com projeção mais otimistas para o resultado, fez um "mea culpa". "O trimestre foi pior do que esperávamos (...) Como nosso modelo implicava uma vantagem decente baseada em DCF (fluxo de caixa descontado), mantivemos nossa postura construtiva sobre a ação. Após o terceiro trimestre, sentimos que não avaliamos adequadamente os desafios em andamento", disseram em relatório.

Com a receita mais baixa, a Americanas disse em balanço que precisou realizar uma série de corte de custos ao longo do trimestre, reduzindo despesas com funcionários, lojas e marketing. "No entanto, o impacto desses ajustes ocorridos ao longo do trimestre só deve se refletir totalmente no quarto trimestre e por conta desse descasamento, a margem Ebida foi impactada negativamente no segundo trimestre", afirmou a empresa.

Apesar do resultado fraco para o terceiro trimestre, analistas do Itaú BBA afirmaram que seguem esperanços com a tese de Americanas, especialmente devido à mudança de gestão esperada para o início do ano que vem, com a chegada de Sérgio Rial para a presidência da companhia.

"Entendemos que a empresa está à beira de uma mudança gerencial que pode levar a dias melhores pela frente. Decidimos esperar por esses dias, com uma classificação de desempenho de mercado, e assim estamos rebaixando a ação."

Via: (ainda) menos relevante no e-commerce

O prejuízo líquido da Via, dona das Casas Bahia e Ponto, foi o segundo pior entre as maiores varejistas do país. No trimestre, o saldo foi negativo de R$ 203 milhões, 50% acima do prejuízo líquido do terceiro trimestre de 2021. Mas, desta vez, até mesmo o resultado operacional ficou no vermelho, com prejuízo de R$ 135 milhões ante lucro operacional de R$ 101 milhões na comparação anual.

No período, a receita bruta da companhia caiu 4,4% para R$ 8,3 bilhões. A queda foi puxada pela frente digital, que desabou 15,2% para R$ 3,164 biilhões, tornando-se ainda menos relevante dentro do balanço da empresa e no e-commerce brasileiro.

"Acreditamos que os resultados devem impactar de forma negativa o preço das ações, uma vez que seguem pressionados pelo ambiente concorrencial pesado e pela perda de market share no importante segmento digital", afirmou Gabriel Gracia.

Quem vencerá a corrida do e-commerce?

Apesar dos resultados negativos para o terceiro trimestre, analistas do BTG Pactual consideram que o setor representa um "crescimento secular", mas sem espaço para todos no futuro.  A consolidação de mercado, segundo o BTG, será entre "pouquíssimos" competidores. Há chances, no entanto, de o grande vencedor do mercado brasileiro sequer ser brasileiro.

Pelas constas do BTG o GMV online combinado de Mercado Livre, Americanas, Magazine Luiza e Via cresceu R$ 1,1 bilhão no trimestre para R$ 44,6 bilhões, enquanto o comércio eletrônico no Brasil encolheu 10%, segundo a Neotrust, acelerando o declínio dos meses anteriores. A maior parte do GMV combinado (R$ 21,196 bilhões), no entanto, veio da argentina Mercado Livre, que também apresentou o maior crescimento em relação ao ano anterior, de 20%. 

Para os próximos trimestres, a expectativa do BTG é de que o setor apresente um crescimento mais lento baseado em "menor renda disponível e alta participação nas vendas em categorias cíclicas, como eletroeletrônicos e eletrodomésticos". Os analistas também esperam que o setor passe a focar mais em rentabilidade e preservação de caixa.