Após balanço sem sustos, palavra de ordem no Itaú é cautela

Maior banco privado do País supera os pares com controle da carteira de crédito e foco na consistência
Itaú (ITUB4): banco tem lucro de R$ 8,1 bilhões (Itaú/Wikimedia Commons)
Itaú (ITUB4): banco tem lucro de R$ 8,1 bilhões (Itaú/Wikimedia Commons)
Beatriz Quesada
Beatriz Quesada

Publicado em 11/11/2022 às 19:05.

Última atualização em 11/11/2022 às 19:36.

O Itaú (ITUB4) se destacou entre os bancos privados ao apresentar um resultado em linha para o esperado no terceiro trimestre, enquanto os concorrentes Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB11) decepcionaram o mercado. 

Ao comentar o resultado do banco com jornalistas, uma palavra se sobressaiu no discurso do presidente Milton Maluhy Filho: cautela. O CEO reforçou que o momento macroeconômico é desafiador, com inflação e juros subindo globalmente e atividade econômica desacelerando no Brasil.

“É um cenário que inspira cautela. Nosso foco [diante do ambiente macro] é continuar crescendo a carteira de crédito com qualidade, nos públicos de menor risco e entregando resultados consistentes e previsíveis”, afirmou.

Foi o que aconteceu. O maior banco privado do País, teve lucro de R$ 8,079 bilhões no terceiro trimestre deste ano, alta de 19,2% na comparação anual e em linha com o esperado por analistas. 

A boa gestão da carteira de crédito, por sua vez, foi o trunfo do Itaú no trimestre. O banco manteve a inadimplência sob controle mesmo com o crescimento da concessão de empréstimos para pessoa física – uma das linhas mais arriscadas de crédito e grande vilã do resultado dos concorrentes.

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A carteira de crédito total cresceu 15,5% ante o terceiro trimestre de 2021, atingindo R$ 1,11 trilhão em setembro deste ano. Na carteira de pessoas físicas, o aumento foi impulsionado, principalmente, pelos volumes de linhas de crédito pessoal (34,4%) e de cartão de crédito (32,7%).

A inadimplência, por sua vez, subiu 0,2 pontos percentuais na comparação anual. O indicador passou de 2,6% em setembro de 2021 para 2,8% no mesmo período deste ano – um percentual de alta mais brando do que o registrado pelos pares privados.

O Itaú saiu em vantagem devido à composição de sua carteira de crédito, que é mais focada em alta renda que seus pares. Renato Lulia Jacob, diretor de relações com investidores do banco, reforçou que o Itaú vem se preparando para um cenário mais desafiador, aumentando a exposição em empréstimos com garantias que, assim como o segmento de alta renda, oferece riscos menores. 

De 2019 para cá, crescemos 5% o portfólio para empréstimos garantidos na linha de pessoas físicas”, afirmou Jacob em entrevista à EXAME Invest.

O diretor destaca ainda que a cautela do Itaú no mercado de crédito não inibe a busca por oportunidades nem a entrega de resultados. “Não estamos freando o desenvolvimento. A cautela é a capacidade de crescer de forma sustentável nos setores e produtos nos quais queremos avançar”, disse.

A expectativa do Itaú é de uma alta moderada na inadimplência da pessoa física no quarto trimestre, com possível estabilização apenas nos dois primeiros trimestres do ano que vem, o que deve manter o banco na estratégia de linhas menos arriscadas de crédito.

O grande recado da administração foi a busca por consistência e previsibilidade. A começar pelos resultados em linha com o esperado e continuando com a manutenção do guidance para 2022. O banco não realizou nenhuma mudança em suas projeções ao final do ano. A expectativa é de um encerramento sem sustos.