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JSL (JSLG3) quintuplica caixa em um ano e vê espaço para novas aquisições

Empresa diz estar preparada para eventuais oportunidades e planeja reservar parte dos recursos para redução da dívida

Simpar (SIMH3), antiga JSL (Divulgação/Divulgação)

Simpar (SIMH3), antiga JSL (Divulgação/Divulgação)

Guilherme Guilherme
Guilherme Guilherme

Repórter de Invest

Publicado em 7 de maio de 2024 às 19h38.

Última atualização em 7 de maio de 2024 às 19h57.

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A JSL (JSLG3) terminou o primeiro trimestre com R$ 3,7 bilhões em caixa, o dobro do registrado no trimestre anterior e cinco vezes em relação ao do mesmo período do ano passado. O volume foi vitaminado pela emissão do Certificado de Recebível do Agronegócio (CRA) em fevereiro, que trouxe aos cofres da companhia R$ 1,75 bilhão.

Com os bolsos cheios, a JSL se diz preparada para dar continuidade às aquisições. "Temos espaço para o crescimento inorgânico e está dentro de nossa estratégia. Todas as empresas que compramos desde o IPO já dobraram de tamanho", diz Ramon Alcaraz, CEO da JSL, em entrevista à EXAME Invest. "Se aparecer a oportunidade correta, temos capacidade de fazer a aquisição sem nenhuma restrição", acrescenta Guilherme Sampaio, CFO da JSL.

Na JSL, as recentes aquisições têm mexido os ponteiros. A companhia, que é líder em transporte rodoviário, aumentou sua receita líquida de 40,7% no primeiro trimestre para R$ 1,03 bilhão. Em transporte de cargas, o faturamento dobrou em um ano, muito por causa das consolidações da IC e FSJ, adquiridas no ano passado.

A FSJ, contou o CEO, tem possibilitado maior atuação em e-commerce, que já representa 5% do faturamento da empresa. "Queremos estar em setores que crescem mais que a média do país e e-commerce é um deles. As aquisições nos possibilitam entrar em novos mercados, como foi com a FSJ. Essa empresa mostrou que é possível ser rentável no middle mile ("milha média", em português), que é no transporte de grandes centros de distribuições (CDs) para CDs regionais. No last mile ("última milha"), que é a ponta final, ainda não vemos margens atrativas, então preferimos ficar de fora."

Já a aquisição da IC, conta Alcaraz, foi um pouco diferente do padrão de compras da JSL, focadas na capacidade da gestão e margens elevadas. "A IC foi uma oportunidade de negócio. Quando adquirimos sabíamos que era uma empresa que sofreu com a alta de insumos e que tinha problemas de precificação e de resultado. Tivemos de entrar a fundo para a IC achar o caminho da redução de custos, de renegociação de contratos e, inclusive, com a possibilidade de perder receita. Precisamos de equilíbrio entre resultado e receita." Desde a aquisição, a JSL vem buscando realizar os ajustes necessários para aumentar a eficiência da IC, mas ainda há mais a ser feito. "Eu diria que estamos no meio do caminho", diz Alcaraz.

Custo do crescimento

Todo esse crescimento tem um preço. Desde o ano passado, a dívida líquida da JSL cresceu 31,1% para R$ 4,959 bilhões. Embora maior, o custo médio da dívida diminuiu 1,9 ponto percentual para 9% e seu prazo médio subiu  de quatro para sete anos. Esse menor custo da dívida, afirma Sampaio, tem se traduzido em um retorno mais alto. Nos primeiros três meses do ano, o lucro da JSL foi de R$ 48,7 milhões, 56,2% acima do primeiro trimestre de 2023. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 396,1 milhões, 29,4% maior na comparação anual.

Enquanto aguarda por oportunidades de aquisição, parte significativa do caixa será destinada à gestão da dívida, segundo Sampaio. Ao fim do primeiro trimestre, a companhia estava com um relação dívida líquida/Ebitda de 2,68x, ante 3,25x no mesmo período de 2023.

"O tamanho da dívida não me preocupa. O ponto é ter certeza que estamos gerando mais caixa com menos dívida. Desde dezembro de 2022, já conseguimos diminuir em 1,5 p.p. o spread de nossa dívida. Juntando com a queda de juros, o benefício é direto no lucro líquido. E isso cria uma bola de neve positiva. Com a maior geração de caixa, desalavancamos mais rápido e, consequentemente, temos um lucro líquido maior", afirma Sampaio.

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