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Economista do Bradesco compara incerteza dos EUA a de mercados emergentes

Fernando Honorato vê nos EUA a incerteza institucional que o mercado sempre associou a países emergentes

Fernando Honorato, do Bradesco: 'vimos uma piora na política econômica dos EUA'

Fernando Honorato, do Bradesco: 'vimos uma piora na política econômica dos EUA'

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 15 de setembro de 2026 às 14h42.

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O economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato, afirmou que os Estados Unidos passaram a exibir o tipo de instabilidade que o mercado costuma associar a países em desenvolvimento. A avaliação foi feita durante painel da B3 Week mediado pelo CEO da B3, Chris Egan, ao lado do economista-chefe do Itaú, Diogo Guillen.

Para Honorato, o desempenho recente dos mercados emergentes tem menos a ver com força própria e mais com a fragilidade dos desenvolvidos. "A razão pela qual os emergentes estão performando acima é o desempenho abaixo do esperado dos mercados desenvolvidos", disse. O Ibovespa acumula ganhos expressivos no ano em dólar, superando o S&P 500, movimento que analistas atribuem à rotação de portfólio para fora dos ativos americanos.

"O que vemos hoje na política macroeconômica dos Estados Unidos, não víamos há anos, e é algo que vemos muito nos mercados emergentes", afirmou.

Como exemplo, citou a tentativa do governo Donald Trump de restringir os votos pelo correio nas eleições de meio de mandato de novembro. A Suprema Corte dos EUA rejeitou o pedido, permitindo que os estados mantenham os procedimentos atuais de envio das cédulas.

O economista disse ver, desde o início de 2025, um movimento de saída dos ativos americanos. "Uma diversificação para longe do dólar, ou pelo menos dos títulos do governo americano", descreveu. A ressalva é que o problema está na política econômica, não na economia real.

"O setor privado americano está indo muito bem, a inteligência artificial está indo fantasticamente bem, mas, no fim das contas, vimos uma piora na política econômica dos EUA."

Diogo Guillen trouxe o contraponto de que não se deve tratar os emergentes como bloco único.

"Temos diferentes emergentes, então não é como se fosse uma única classe sobre a qual devêssemos pensar de forma igual", afirmou, ao apontar fatores distintos como carrego, commodities e risco geopolítico.

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