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Creditas tem aporte de US$ 260 mi em rodada liderada pela Fidelity

Rodada Series F avalia a fintech especializada em crédito com garantia em US$ 4,8 bilhões, ou R$ 26,4 bilhões, e atrai gigante de investimentos nos EUA

Sergio Furio, fundador e diretor-executivo da Creditas | Foto: Germano Lüders/EXAME (Germano Lüders/Exame)

Sergio Furio, fundador e diretor-executivo da Creditas | Foto: Germano Lüders/EXAME (Germano Lüders/Exame)

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Bloomberg

Publicado em 25 de janeiro de 2022 às 10h20.

Última atualização em 21 de fevereiro de 2022 às 18h09.

Por Felipe Marques e Vinícius Andrade

A Fidelity Investments comprou uma participação na Creditas, avaliando a fintech brasileira em 4,8 bilhões de dólares (cerca de 26,4 bilhões de reais ao câmbio da segunda-feira, dia 24). O anúncio foi feito na manhã desta terça, dia 25.

A Creditas levantou 260 milhões de dólares em rodada Series F que foi liderada pela Fidelity, disse Sergio Furio, fundador e diretor-executivo da Creditas. Outros acionistas, como os fundos Vision e Latin America do SoftBank, também acompanharam a rodada, segundo Furio.

“O mercado estava ficando um pouco esquisito e queríamos estar bem capitalizados”, disse Furio em entrevista por vídeo. Ele espera aproveitar a volatilidade do mercado ao longo de 2022 para novas possíveis aquisições.

A Fidelity é uma gigante de investimentos nos Estados Unidos, com cerca de 40 milhões de investidores individuais e 11,1 trilhões de dólares em ativos sob administração.

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Os recursos da rodada também serão usados para expandir a base de clientes da Creditas com o objetivo de dobrar a receita em 2022, disse Furio. A startup tem pela frente um ano difícil no Brasil, com uma economia que não deve crescer e uma eleição presidencial polarizada em outubro.

“Os brasileiros terão que tomar mais empréstimos com garantias, já que os bancos incumbentes vão recuar a oferta de outras linhas de crédito”, disse Furio.

A Creditas oferece uma série de empréstimos com garantias, usando casas, veículos e até iPhones como colaterais -- com taxas mais baixas do que a praticada por bancos tradicionais. Em uma rodada anterior de captação de recursos em dezembro de 2020, a empresa havia sido avaliada em 1,75 bilhão de dólares. Ou seja, a valorização foi de 175% em pouco mais de um ano.

A transação da Creditas dá início ao que promete ser mais um ano forte para as startups latino-americanas. No ano passado, empresas e fundos de venture capital investiram mais de 15 bilhões de dólares em startups da região, mais de três vezes o montante de 2020, segundo dados compilados pelo PitchBook.

O frenesi de negócios ajudou a criar novos bilionários e transformou as startups em algumas das maiores empresas da região.

A mais recente captação de recursos colocou a Creditas entre as cinco startups de capital fechado mais valiosas da região. Para comparação, a revendedora digital de carros usados ​​Kavak, do México, é avaliada em 8,7 bilhões de dólares, a colombiana Rappi, em 5,25 bilhões de dólares, e o brasileiro QuintoAndar, em 5,1 bilhões de dólares.

A questão agora é como essas startups se sairão quando for considerarem que chegou o momento de acessar o mercado público de ações. Devido à queda nos papéis de empresas de tecnologia ao redor do mundo, o Nubank (NU), que abriu seu capital em dezembro passado, agora está sendo negociado abaixo do preço de seu IPO.

A Creditas planeja fazer uma oferta pública inicial em algum momento, provavelmente em uma bolsa americana, de acordo com Furio, mas ainda não há um prazo definido. A nova rodada posterga esse momento, dado que a empresa fica capitalizada por mais alguns meses.

Crescimento no México

Furio, que é espanhol, fundou a Creditas em 2012, depois de ouvir de sua então namorada brasileira sobre os juros astronômicos do Brasil. Ele já havia trabalhado na divisão de banco corporativo e de banco de investimento do Deutsche Bank, seguido por um período de sete anos no The Boston Consulting Group, e chegou ao Brasil sem falar português.

Agora, a empresa que ele criou tem mais de 4.000 funcionários, com um escritório de tecnologia na Espanha e uma operação de empréstimo no México. A Creditas planeja usar parte dos recursos da rodada para acelerar o crescimento no México, mas não há por ora planos de expansão para outros países da América Latina.

Incluindo a rodada recente, a Creditas já levantou 829 milhões de dólares por meio de transações de ações, segundo Furio. Além da Fidelity, outros novos investidores incluem o fundo Actyus e a Greentrail Capital.

A empresa também é apoiada por QED Investors, Kaszek Ventures, Wellington Management e Advent International, por meio de sua afiliada Sunley House Capital.

“A Creditas é a rara fintech que realmente constrói relacionamentos profundos com seus clientes, reduzindo drasticamente o custo do crédito e melhorando a qualidade de vida daqueles que atendem”, disse Will Pruett, diretor da Fidelity.

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