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Remy Sharp
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A Berkshire Hathaway chamou a atenção quando fez um drástico corte em uma aposta multibilionária em tecnologia logo após divulgá-la, uma medida repentina que contrasta com a famosa abordagem de investimento em valor do conglomerado, e que levantou questões à medida que a empresa caminha para uma era pós-Warren Buffett.

Investidores buscarão respostas para essas e outras perguntas no sábado, quando Buffett, o diretor-presidente, deve publicar sua carta anual aos acionistas com os resultados do grupo em 2022.

“O que estamos vendo na carteira de investimentos é uma prova tangível da troca da guarda”, disse Cathy Seifert, analista da CFRA. A estratégia tradicional de Buffett de comprar ações baratas e mantê-las perpetuamente parece ceder à “teoria tradicional de gestão de portfólio”, disse.

Neste mês, a Berkshire informou que reduziu sua participação na Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (TSMC) em 86% durante o quarto trimestre, depois de anunciar um investimento de US$ 5 bilhões em novembro. O próprio Buffett pode estar por trás das apostas na TSMC, ou estas podem ter sido obra de Todd Combs ou Ted Weschler, que também escolhem ações para a Berkshire.

Um porta-voz da Berkshire não fez comentários imediatos.

Buffett tem a opção de dar mais detalhes sobre a súbita reversão em relação à TSMC com sua carta neste fim de semana. Para Seifert, é mais provável que as respostas surjam como resultado de perguntas feitas na reunião anual da empresa em maio.

“As pessoas entram nesse processo com muitas perguntas”, disse Seifert sobre a carta anual. “Esta é uma empresa grande, diversa e complicada e acho que, infelizmente, as pessoas sairão desse processo com poucas perguntas respondidas.”

A mudança na estratégia de investimento não é a única questão que incomoda os obstinados na Berkshire. Buffett, agora com 92 anos, deixou claro em 2021 que Greg Abel vai substituí-lo como CEO. Ele reservou espaço na carta anual do ano passado para Abel detalhar os esforços de sustentabilidade da empresa, um gesto atípico que poderia ser repetido. Não está claro se outros detalhes da sucessão podem surgir.

Analistas também se perguntam se Joe Brandon poderia um dia substituir Ajit Jain, o vice-presidente da Berkshire que supervisiona as operações de seguros. Brandon costumava dirigir a General Re da Berkshire. Então, assumiu o comando da Alleghany Corp. e voltou à Berkshire depois que o conglomerado adquiriu a seguradora no ano passado.

“Não estou sugerindo que ele esteja pronto hoje para suceder Ajit Jain como presidente do conselho das operações de seguros, mas acho que é uma possibilidade”, disse Jim Shanahan, analista da Edward Jones, em entrevista.

A incerteza vai além de possíveis mudanças na liderança. O desempenho da Geico piorou desde o fim de 2021, e analistas pedem mais detalhes sobre o que tem sido feito para remediar isso. Ao mesmo tempo, a unidade ferroviária BNSF ficou atrás de seus pares em rentabilidade e métricas de desempenho, apesar de sua força relativa de lucro na Berkshire, de acordo com Shanahan.

Silêncio

A Berkshire silenciou no ano passado sobre outra questão da BNSF: uma greve ferroviária evitada após um acordo trabalhista intermediado pelo presidente dos EUA, Joe Biden. A empresa incluiu breves comentários sobre a possibilidade de uma paralisação nos resultados do terceiro trimestre, aparentemente sua primeira divulgação relacionada à disputa trabalhista.

A situação da BNSF ilustra o que há muito tempo é visto como falta de visibilidade nas operações da Berkshire, que é listada em bolsa, mas raramente fornece detalhes sobre subsidiárias que operam de forma independente.

“Com total respeito a todas as fortalezas da Berkshire, divulgação não é realmente um de seus pontos fortes”, disse Meyer Shields, analista da KBW. “Eles realmente não deixam as pessoas saberem o que está acontecendo.”

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