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Bancos centrais batem recorde em compra de ouro e levantam dúvida no mercado

Volume de ouro comprado pelos bancos centrais de todo o mundo chegou a 697 toneladas no ano; metal é visto como fuga em caso de riscos no mercado

Ouro: existem bancos centrais que sabem mais sobre o mercado de ouro do que outros participantes do mercado? (Getty/Getty Images)

Ouro: existem bancos centrais que sabem mais sobre o mercado de ouro do que outros participantes do mercado? (Getty/Getty Images)

Os bancos centrais do mundo estão sabendo de alguma coisa que o mercado ainda não percebeu? O questionamento vem pairando na cabeça dos gestores e investidores globais recentemente, quando as compras recentes de ouro chegaram a novos recordes. 

A demanda por ouro aumentou 28% este ano, impulsionada principalmente por uma fuga para ativos mais seguros em meio à inflação global crescente, de acordo com um novo relatório do World Gold Council. O ritmo de aumento de reservas dos bancos centrais é o maior desde 1967, quando o dólar americano ainda era lastreado pelo metal.

Nos últimos anos, os bancos centrais dos países em desenvolvimento foram os grandes compradores de ouro, trazendo as reservas totais de ouro para algo em torno de 37.000 toneladas. Como a compra do banco central normalmente ocorre nos bastidores, dificilmente chega às manchetes, mas as compras recentes chegaram, observa Carsten Menke, que comanda a divisão de Next Generation do banco Julius Baer. A divisão tem como foco de investimento o crescimento estrutural de longo prazo.

Não é apenas o volume de quase 400 toneladas durante o terceiro trimestre (que elevou as compras líquidas do banco central até o momento para 673 toneladas) que entrou no radar. Também atrai atenção o fato de que a maior parte desse montante não poder ser destinada a um banco central específico.

As maiores compras foram da Turquia, Uzbequistão e Índia. A Rússia não tem mais relatado reservas desde o início da guerra na Ucrânia, mas provavelmente estaria na lista. No entanto, o analista do Julius Baer diz que mesmo com a inclusão dos russos, uma grande lacuna permanece, levando à questão: "existem bancos centrais que sabem mais sobre o mercado de ouro do que outros participantes do mercado?". 

Para Menke, a resposta é não.  "A julgar pelo histórico dos bancos centrais, não acreditamos que eles saibam mais. Desde 2010, suas compras renderam retornos médios de 4% em um ano e cerca de 7% em dois anos, o que está em linha com o desempenho geral do ouro. Em vez disso, com base na lista de compradores, vemos seu comportamento mais como o envio de declarações políticas, seja para Washington, Berlim ou Bruxelas – especialmente em tempos de mundo mais multipolar."

Além disso, diz ele, claramente não há ligação entre as reservas de ouro de um banco central e a estabilidade de sua moeda. "A Turquia é o caso mais proeminente. A estabilidade de uma moeda reflete muito mais as condições cíclicas, bem como o nível de confiança nas instituições do país."

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