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Atuação do BC faz dólar cair 1,71% e fechar abaixo de R$2

O dólar fechou em queda de 1,71 por cento, cotada a 1,9945 real na venda

A mínima recorde do dólar ante o iene é de 79,75, a mínima intradia atingida em 19 de abril de 1995 (Getty Images)

A mínima recorde do dólar ante o iene é de 79,75, a mínima intradia atingida em 19 de abril de 1995 (Getty Images)

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Da Redação

Publicado em 25 de maio de 2012 às 17h55.

São Paulo  - Com uma nova estratégia de atuação do Banco Central, o dólar encerrou a sexta-feira com queda de quase 2 por cento frente ao real, fechando abaixo de 2 reais, o que não acontecia desde o dia 14 de maio, quando ficou em 1,9899 real na venda. O mercado reagiu à atuação do BC que, desta vez, fez um leilão de swap cambial tradicional logo pela manhã e com a moeda norte-americana em torno da estabilidade.

A partir de agora, já há operadores que acreditam que o BC pode dimuinuir a sua atuação, caso a moeda não volte a subir com mais força. O dólar fechou em queda de 1,71 por cento, cotada a 1,9945 real na venda. Na semana, a divisa acumulou perdas de 1,19 por cento frente ao real, também em função das intervenções do BC, que realizou leilões de swap cambial tradicional -operação que equivale a uma venda de dólares no mercado futuro- por quatro pregões consecutivos.

"O mercado cansou de apostar na alta do dólar e se curvou ao BC. Agora vai começar a questionar se ele vai continuar vendendo dólares ou não. Se vender, eu acho que derruba muito a moeda e não é o que ele quer. Acho que já chegou o momento de ele parar [de fazer leilões]", disse o economista-chefe do BCG Liquidez, Alfredo Barbutti.

Fonte da equipe econômica afirmou à Reuters que o governo quer eveitar volatilidade do mercado cambial e que a atuação nesta manhã serviu para para dar um recado claro para eviar distorções nos "preços."


"É para mostrar que tem galo no terreiro", resumiu a fonte, acrescentando que houve a percepção de que tanto os exportadores quanto os importadores haviam se afastado das negociações, o que é ruim para a própria atividade econômica. "Quando o mercado (de câmbio) começa a ficar disfuncional, o exportador e o importador começam a sair", explicou a fonte. "O mercado de câmbio não pode ficar sem preço", acrescentou. O BC voltou a fazer leilões de swap tradicional na sexta-feira passada, quando o dólar chegou a subir mais de 2 por cento e tentanto anular contratos de swap cambial reverso -que equivalem a uma compra de dólares no mercado futuro- que venciam no mesmo prazo.

A partir de quarta-feira, o BC mostrou ainda mais força, passando a fazer leilões de swap com ofertas maiores de contratos e não apenas para anular contratos de swap reverso. Na quarta-feira, o dólar chegou a máxima de 2,1070 reais durante o dia, mas acabou fechando com queda de quase 2 por cento. Um operador de câmbio que prefere não ser identificado afirmou ainda que acredita que a atuação do BC nesta sexta-feira pode ter sido uma antecipação de futuras volatilidades.

Para ele, o BC pode diminuir a sua atuação a partir de agora, só voltando a atuar com a moeda subindo um pouco mais ou no caso de uma eventual saída mais forte de dólares do país. O diretor de câmbio da Pionneer Corretora, João Medeiros, também destacou que a atuação do BC fez o dólar voltar a recuar e acredita que a voltará a fazer intervenções caso a moeda suba por conta de uma aversão ao risco no exterior. "A atuação do BC foi preponderante para essa queda na semana. Se houver potencial de alta, o BC pode corrigir isso", disse Medeiros. 

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