Mercados

Argentina em seu labirinto: Macri corta o imposto de pão e leite

Até o obelisco da capital argentina sabe que a prioridade de Macri é evitar uma derrota nas eleições agendadas para o dia 27 de outubro

Macri: “Minha única prioridade é cuidar dos argentinos e lhes levar alívio”, afirmou o presidente (Mario De Fina/Getty Images)

Macri: “Minha única prioridade é cuidar dos argentinos e lhes levar alívio”, afirmou o presidente (Mario De Fina/Getty Images)

DR

Da Redação

Publicado em 16 de agosto de 2019 às 06h58.

Última atualização em 16 de agosto de 2019 às 10h04.

Priorizar nos meus resultados Google

Um dos temas que dominaram a agenda política e financeira internacional no início da semana deve ser também fonte de atenção nesta sexta-feira. Investidores e analistas estarão de olho na reação de eleitores, políticos e investidores a uma nova investida populista do presidente argentino, Mauricio Macri.

Na noite desta quinta-feira Macri anunciou uma nova leva de medidas em um pacotão para aliviar a crise econômica e aumentar o poder de compra da população. O governo anunciou a eliminação do IVA, o impostos sobre valor agregado, de produtos básicos como pães, arroz, leite, mate e azeite. Na quarta-feira, Macri já havia anunciado medidas como aumento do salário mínimo e congelamento do preço dos combustíveis.

As medidas começam a valer imediatamente, e terão vigência até 31 de dezembro. “Minha única prioridade é cuidar dos argentinos e lhes levar alívio”, afirmou o presidente, em vídeo.

Até o obelisco da capital argentina sabe que a prioridade de Macri é evitar uma derrota nas eleições agendadas para o dia 27 de outubro. No último domingo, uma prévia eleitoral colocou o candidato de oposição, Alberto Fernández, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como vice, 16 pontos à frente de Macri.

A nova leva de medidas populistas de certa forma antecipa os temores de investidores de que um governo menos preocupado com as contas públicas e as reformas pode estar à frente da Casa Rosada em 2020. E só é possível pelo sistema político sui generis do país, que tem em seu comando um político desesperado por tirar uma desvantagem eleitoral escancarada nas urnas.

As medidas visam também conter a inflação e a fuga de dólares do país, mas vão contra a agenda reformista de Macri e contra declarações recentes de integrantes do governo. Em abril de 2018, o então ministro da Produção, Franciso Cabrerar, afirmou que o governo não implementaria um controle de preços porque ele “falhou nos últimos 4.000 anos”. Agora, o atual ministro da Produção, Dante Sica, insiste que o controle é temporário e visa dar uma resposta à instabilidade trazida pelo resultado das urnas.

Mais do que saber se Macri sobrevive após outubro, a grande pergunta entre analistas, agora, é se a Argentina sobrevive até outubro.

 

Acompanhe tudo sobre:Crise econômicaImpostosArgentinaEleiçõesMauricio MacriExame Hoje

Mais de Mercados

Ibovespa sobe e dólar cai após 'trade eleitoral' superar temor fiscal, segundo analistas

Mercado esperava mais corte de juros. Ganhou um reajuste do Bolsa Família

Ibovespa hoje: mercado repercute corte na Selic e pesquisas eleitorais acirradas

Petrobras fecha acordo para explorar oito blocos de petróleo na Costa do Marfim