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Após "pacote populista", Macri elimina imposto de alimentos na Argentina

A redução do IVA sobre a comida é um pleito histórico da central sindical, dos movimentos sociais e dos partidos de centro e de esquerda

O presidente liberal argentino, Mauricio Macri, reforçou nesta quinta-feira seu pacote de medidas de alívio diante da esperada disparada da inflação, eliminando o imposto sobre vendas (IVA) dos alimentos básicos, a dois meses e meio do pleito no qual buscará sua reeleição.

"Vamos eliminar o Imposto ao Valor Agregado (IVA) do pão, do leite e de outros alimentos", anunciou o mandatário nas redes sociais, em outra reação às turbulências cambiais após sua derrota nas eleições primárias de domingo - que levaram a uma desvalorização do peso de mais de 20%.

Outros produtos alimentícios que vão ter o tributo sobre o consumo zerado até dezembro são o óleo de girassol, o açúcar, as massas secas, o arroz, a farinha de trigo, a polenta, a erva mate (de infusão), as conservas, o iogurte e os ovos, explicou em entrevista coletiva o ministro de Produção, Dante Sica.

O objetivo é "controlar os aumentos de preços" que virão com a desvalorização do peso.

Até julho, a Argentina acumula inflação de 25,1%, uma das mais altas do mundo.

O ministro esclareceu que a medida não implicará em uma redução automática dos preços e anunciou que a pasta "fará controles com seus inspetores" nos postos de venda.

A redução do IVA sobre a comida é um pleito histórico da central sindical CGT, dos movimentos sociais e dos partidos de centro e de esquerda.

Até então, Macri classificava este tipo de demandas como "populismo e demagogia", especialmente ao se referir ao seu principal rival na corrida presidencial, o kirchnerista Alberto Fernández.

"Isto não é demagogia, nem (medida) eleitoreira", disse Sica.

Na quarta-feira (14), Macri já havia anunciado pacote de medidas para aliviar a classe média, atingida pela crise econômica, que inclui bônus salariais e redução no imposto de renda, além do congelamento dos preços dos combustíveis por 90 dias.

Especialistas ouvidos por EXAME classificaram essas medidas como populistas e dizem que mostram um presidente desesperado para se reeleger após fiasco nas urnas

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