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Ambev (ABEV3): Inflação pressiona e lucro líquido cai 13,4% no 3º tri, para R$ 3,21 bilhões

Volume no Brasil ficou estável e companhia conseguiu melhoria de receita com preços e portfólio, mas outros mercados ainda estão pressionados

Ambev: desempenho no Brasil superou o de outras regiões nas Américas (Ambev/Divulgação)

Ambev: desempenho no Brasil superou o de outras regiões nas Américas (Ambev/Divulgação)

Sem crescimento de volume de cerveja no Brasil, resultados externos ainda vacilantes e pressão de custos, o lucro líquido da Ambev (ABEV3) caiu 13,4%, para R$ 3,21 bilhões no terceiro trimestre quando comparado ao mesmo período de 2021. O lucro líquido atribuído a controladores somou R$ 3,11 bilhões, um recuo de 12,5%. O resultado ficou acima das expectativas de analistas de mercado.

A companhia até conseguiu crescimento de receita, que alcançou R$ 20,6 bilhões, ficando 11,3% acima do ano anterior. A razão do avanço da receita foram as estratégias de precificação e o mix de portfólio, incluindo as embalagens. Houve aumento de 17,4% da receita líquida por hectolitro (cada hectolitro corresponde a 100 litros), mas insuficientes para cobrir o avanço dos custos que subiram 21,5% por hectolitro.

O volume consolidado do grupo cervejeiro cresceu 1,3%, para 46 milhões de hectolitros, nos mercados em que atua: Brasil, países da América do Sul, países do Caribe e Canadá. Em 12 meses, o volume soma 185 milhões de hectolitros, o que
representa 23 milhões de hectolitros acima dos níveis pré-pandêmicos (19 milhões no Brasil).

A linha financeira do balanço também pesou. O resultado financeiro foi um prejuízo de R$ 1,25 bilhão, 43% maior do que o prejuízo financeiro do mesmo trimestre do ano anterior. As despesas de juros totalizaram R$ 691,6 milhões e perdas com instrumentos derivativos somaram R$ 1,07 bilhão, por operações de hedge na Argentina e no Brasil.

Brasil

Principal mercado de cervejas da Ambev, o Brasil ficou no zero a zero em volumes, totalizando 23,48 milhões de hectolitros. Analistas previam um recuo de 2%. A receita líquida cresceu 17,1%, para R$ 9,05 bilhões, com a receita por hectolitro subindo 17,0% e melhorando sequencialmente por iniciativas de gestão de receita combinadas com o mix positivo de marca e embalagens. O custo por hectolitro excluindo depreciação e amortização aumentou 19,7% (+18,3% excluindo a venda de produtos de marketplace não-Ambev), impulsionado principalmente pelo obstáculo das commodities, parcialmente compensado por um mix de embalagens positivo.

Embora a margem bruta ainda tenha ficado 0,5 ponto percentual menor, em 46,4%, a companhia conseguiu melhoria na margem de lucro operacional, que avanaçou 1 ponto percentual, para 18,2%.

A empresa manteve a previsão de que os custos por hectolitro de cerveja no Brasil vão crescer entre 16% e 19% neste ano.

A estrela da temporada foi a divisão de não-alcoólicos (NAB), cujo volume cresceu 10,2%, para 7,99 milhões de hectolitros. A receita líquida aumentou 35,8%, para R$ 1,72 bilhões. A receita por hectolitro cresceu 23,2% e melhorou sequencialmente, impulsionada por iniciativas de gestão de receita aliadas ao mix positivo de marcas e embalagens, liderados pelo portfólio de maior valor agregado e pelas embalagens de consumo único. O custo por hectolitro avançou 29,3%.

Mais "premium"

A demanda do consumidor por cervejas de maior valor agregado se manteve, sustentando o crescimento do portfólio "premium" e do que a Ambev chama de "core plus", que tem preços intermediários, como a Brahma Duplo Malte e a Spaten, cerveja alemã, na qual o grupo fez sua mais recente aposta. O rótulo é que lidera o crescimento dessa categoria, diz a companhia. Hoje, as marcas desse segmento representam cerca de 10% do volume total de cerveja para a Ambev. Antes da pandemia, esse índice era de 4%.

Outros países

Nos países do Caribe, como República Dominicana, o ambiente inflacionário foi a água no chope. Os volumes despencaram 18,7%, para 2,75 milhões de hectolitros. A principal queda está nos rótulos econômicos e no "core plus", enquanto o "premium", com Corona, continuou a crescer.

Na América do Sul, volumes cresceram 4,5%, para 9,17 milhões de hectolitros, impulsionados pelo desempenho da Argentina, apesar de um cenário macro desafiador, e da Bolívia. Houve, porém, quedas nos volumes no Chile e no Paraguai.

Já no Canadá, tanto as indústrias de cerveja quanto o portfólio de outras bebidas, como bebidas prontas para beber, melhoraram sequencialmente, resultando em volumes 3,4% superiores, a 2,86 milhões de hectlitros.

Inflação pesa

O crescimento de custos dos produtos vendidos e das despesas gerais, administrativas e de vendas continua sendo um fator geral dada a inflação persistente em certos mercados, como Brasil, Canadá e República Dominicana, e uma inflação mais elevada em outros, como Argentina e Chile, escreve a empresa.

Segundo a Ambev, o custo dos produtos foi principalmente impactado pelo aumento do preço das commodities, em especial alumínio, mas também cevada. Já as despesas foram puxadas pelo aumento dos custos de distribuição graças ao diesel e ao frete, particularmente em mercados que têm maior grau de produtos importados, como Canadá, Chile e países do Caribe.

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