Inteligência Artificial

OpenAI contrata Bruno Lewicki como head de políticas públicas para a América Latina

Novo contratado foi diretor global de Políticas Públicas no Airbnb, onde trabalhava desde 2014

Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 06h01.

A OpenAI, dona do ChatGPT, anuncia, nesta terça-feira, 3, Bruno Lewicki como novo head da área de políticas públicas para a América Latina.

Lewicki trabalha na área há 25 anos e é doutor pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Ele era diretor global de Políticas Públicas no Airbnb, onde estava desde 2014. Antes, foi assessor da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados e trabalhou no escritório de advocacia BMA e na instituição de ensino Ibmec.

A nomeação de Lewicki, executivo com trânsito entre direito, políticas públicas e tecnologia, encaixa-se em uma operação que vem sendo montada no país de forma gradual, mas consistente.

Embora a OpenAI ainda evite falar em uma subsidiária formal com "country manager" e organograma fechado, o Brasil hoje reúne elementos que caracterizam uma presença estruturada: escritório físico, equipe local, parcerias comerciais de divulgação e interlocução direta com o governo federal.

Escritório em São Paulo

Em agosto de 2025, a empresa anunciou um escritório, ainda sem endereço confirmado, em São Paulo, o primeiro da OpenAI na América Latina. Oficialmente, o espaço foi apresentado como um hub de encontros, treinamentos e conexão com startups, desenvolvedores e clientes corporativos. Na prática, ele marca uma virada: até pouco tempo antes, a própria OpenAI descrevia sua atuação no país como limitada a “dois funcionários”. O número atual de colaboradores segue sem divulgação pública, mas a presença executiva se tornou mais visível.

Entre os nomes associados diretamente ao Brasil estão Nicolas Robinson Andrade, citado como Head of Policy & Partnerships Brazil, responsável pela interlocução com governo e ecossistema local; Oliver Jay, gerente-geral internacional que liderou anúncios estratégicos no país, como a parceria com o Nubank; além de executivos técnicos e comerciais que passaram a frequentar eventos no país, como Fabio Mori, na área de educação, e Joe Beutler, em engenharia de soluções.

Essa expansão operacional veio acompanhada de movimentos comerciais claros. A OpenAI lançou no Brasil o ChatGPT Go, plano pago mais barato que o Plus e oferecido gratuitamente via Nubank, seu primeiro acordo com uma instituição financeira brasileira. O discurso é recorrente: democratizar o acesso à IA em um dos maiores mercados do mundo.

Em paralelo, a relação com o setor público se intensificou. O governo federal contratou a OpenAI para uso de IA na triagem e análise de ações judiciais, em um projeto conduzido pela Advocacia-Geral da União. Executivos da empresa também passaram a se reunir com integrantes do Ministério da Justiça, incluindo o ministro Ricardo Lewandowski, para discutir regulação, uso de IA em políticas públicas e segurança jurídica.

É nesse contexto que entra o capítulo mais sensível: investimento. Fontes ouvidas por EXAME sugerem que a OpenAI sinalizou ao governo Lula a intenção de investir até US$ 5 bilhões no Brasil em infraestrutura de computação, movimento condicionado a um marco regulatório considerado “equilibrado”, especialmente em temas como direitos autorais. A conversa está inserida na iniciativa “OpenAI for Countries”, que busca apoiar países com condições de infraestrutura e energia para sediar grandes centros de processamento.

A empresa tem reiterado, em comunicações públicas, que o Brasil reúne vantagens competitivas nesse tabuleiro — energia, escala de mercado e base de usuários — mas deixa claro que previsibilidade regulatória é determinante para qualquer decisão de longo prazo.

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