Inteligência Artificial

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O que são os ‘invernos da IA’, fenômeno que apagou bilhões do mercado e pode estar voltando

Duas vezes na história, o hype da inteligência artificial entrou em colapso e varreu investimentos, empregos e laboratórios do mapa; os sinais de que isso pode estar se repetindo voltaram a circular entre especialistas

O “inverno da IA” é o nome dado aos períodos em que o hype da inteligência artificial entra em colapso  (Imagem gerada com inteligência artificial )

O “inverno da IA” é o nome dado aos períodos em que o hype da inteligência artificial entra em colapso (Imagem gerada com inteligência artificial )

Publicado em 9 de maio de 2026 às 09h16.

Última atualização em 9 de maio de 2026 às 09h18.

Existe um nome técnico para quando o mercado de inteligência artificial implode: inverno da IA. É o momento em que o hype sai de moda, o financiamento no setor some e os laboratórios de pesquisa fecham as portas. 

Parece ficção científica, mas é uma história documentada. E os sinais de que pode estar se repetindo voltaram a circular entre especialistas no último ano.

Como o otimismo dos anos 1960 virou frustração

Nos anos 1950 e 1960, a inteligência artificial era a maior promessa da tecnologia. Governos financiavam generosamente e pesquisadores garantiam que máquinas inteligentes eram questão de poucos anos. Não eram.

As limitações computacionais foram brutais. No Reino Unido, o Relatório Lighthill escancarou que os sistemas simplesmente não entregavam o que prometiam. Os cortes de financiamento vieram rápido. Entre 1974 e 1980, o campo praticamente parou – e esse foi o primeiro “inverno” da IA.

Dia da Informática

Nos anos 1970, governos cortaram financiamentos depois de anos apostando na tecnologia (Wikimedia Commons)

Mas, nos anos de 1980, a tecnologia voltou com força. Sistemas especialistas e redes neurais iniciais geraram uma nova onda de entusiasmo entre empresas e usuários. E vimos, novamente, organizações investirem pesado na tecnologia.

Só que o problema foi o mesmo de sempre: funcionava no laboratório, mas quebrava no mundo real. O custo de manutenção era alto demais e retorno baixo. Em 1987, o mercado colapsou. O segundo inverno durou até 1993 – e deixou um rastro de projetos cancelados e investidores queimados.

Os três fatores que derrubaram a IA antes

A análise dos dois colapsos aponta causas que se repetem com precisão incômoda.

  • Problemas que parecem simples tornam-se intratáveis quando escalam para o mundo real. A IA funcionava nos testes e quebrava na prática.
  • As ideias existiam, mas o hardware para executá-las não. A lacuna entre ambição e capacidade real destruiu a confiança dos financiadores.
  • Falar em máquinas com inteligência humana criou expectativas que sistemas estreitos e específicos jamais poderiam cumprir. 

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Terceiro inverno ou o maior verão da história?

O ciclo atual é o mais intenso já registrado no setor. Nunca houve tanto dinheiro, tanta cobertura, tantas promessas sobre o que a IA será capaz de fazer. Mas é exatamente isso que divide os especialistas. 

De um lado, há quem argumente que desta vez é diferente: o poder computacional cresceu de forma sem precedentes, modelos de linguagem já entregam valor real em aplicações concretas e a infraestrutura de nuvem eliminou barreiras que derrubaram ciclos anteriores.

Do outro, quem reconhece o padrão: o retorno sobre investimento das empresas que adotaram IA generativa segue abaixo das projeções. As promessas de sistemas autônomos continuam sendo adiadas. O hype, dizem, passou do ponto.

O ciclo atual é o mais intenso da história — e é exatamente isso que preocupa especialistas (Dado Ruvic/Reuters)

A história dos invernos da IA não é uma história de fracasso tecnológico. É uma história sobre a diferença entre o que é possível e o que é prometido. E sobre o custo, sempre alto, de confundir as duas coisas.

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