Aquisição na berlinda: China revisa acordo da Meta com a Manus (Getty Images)
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Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 12h45.
As autoridades da China decidiram revisar a compra da startup de inteligência artificial Manus pela Meta, com medo de perder inovação e talentos jovens para os Estados Unidos e se enfraquecer na disputa pela liderança do setor. Segundo o Financial Times, a alta cúpula do governo solicitou uma análise formal do negócio.
A Manus foi adquirida pela Meta em dezembro do ano passado, num acordo avaliado em cerca de US$ 2 bilhões e já considerado raro por envolver a compra, por uma empresa americana, de uma startup com origens chinesas, dada a competição histórica entre as duas nações. Quando anunciou a compra, a Meta informou que irá integrar a tecnologia aos seus produtos voltados a consumidores e empresas, incluindo o Meta AI.
Autoridades da China se reuniram neste mês com representantes da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma e da Administração Estatal de Regulação do Mercado para avaliar se o acordo com a Meta envolve riscos relacionados a investimento externo, concorrência ou exportação de tecnologia.
Fundada na China, a Manus desenvolveu um assistente de IA capaz de executar tarefas como pesquisa de mercado, programação e análise de dados. A empresa viralizou após divulgar um agente de IA com mais autonomia que modelos concorrentes, o que levou analistas a chamá-la de "nova DeepSeek" chinesa.
Além disso, a empresa afirma que o desempenho do seu modelo supera o do DeepResearch, da OpenAI, e mantém uma parceria estratégica com o Alibaba para colaboração em modelos de IA.
Apesar das raízes chinesas, a sede da Manus fica em Singapura. Seus primeiros laboratórios eram localizados em Pequim e Wuhan, mas as operações foram transferidas para o país asiático no meio do ano passado, após um grande aporte da gestora americana de capital de risco Benchmark.
A mudança da sede repercutiu mal na China: veículos estatais chamaram os funcionários de "desertores". Em Washington, a notícia também não foi muito bem recebida por especialistas em segurança nacional, que consideraram a ação da Benchmark uma quebra da regra que limita investimentos americanos em empresas chinesas de IA.