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Engenheiro da Disney comanda até nove agentes de IA e vira referência em painel interno (Unsplash)
Jornalista
Publicado em 21 de outubro de 2026 às 16h45.
Uma reportagem do Business Insider, publicada em maio de 2026, mostra como engenheiros da Disney passaram a incorporar agentes de inteligência artificial ao trabalho diário. Um deles aparece entre os usuários mais ativos do "Painel de Adoção de IA" da empresa, ferramenta interna que acompanha o uso dessas tecnologias.
Agentes de IA são programas que executam tarefas específicas de forma autônoma, a partir de instruções de uma pessoa. Diferentemente de um chatbot, que responde a uma pergunta por vez, o agente cumpre etapas de um trabalho, como reunir dados ou revisar um código.
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O profissional, que não teve o nome divulgado, afirmou ao Business Insider ter de oito a nove agentes trabalhando por ele. Segundo seu relato, eles coletam dados de diferentes áreas da Disney e concluem em algumas horas tarefas que levariam dias ou semanas.
Os agentes também podem conferir o trabalho uns dos outros para reduzir erros. Ainda assim, ele ressaltou que é preciso habilidade para orientar essas ferramentas e gerenciar o que elas entregam.
O destaque no painel chamou a atenção de colegas. Parte dos engenheiros procurou o profissional para entender no que ele trabalhava e como replicar o método. Segundo ele, a reação de colegas e chefes foi positiva.
O painel mostra que alguns funcionários da área de tecnologia usam ferramentas de programação como Claude e Cursor dezenas de milhares de vezes por mês. Tokens são as unidades básicas de dados processadas pelos modelos de IA, e as empresas pagam conforme a quantidade consumida.
Val Bercovici, diretor de IA da WEKA, empresa de armazenamento de memória para IA, analisou documentos internos obtidos pelo Business Insider. Para ele, o consumo de tokens da Disney está "no ponto ideal" para uma companhia fora do setor de tecnologia.
Sete funcionários da área de tecnologia disseram ao portal que a Disney estimula o uso de IA. Três deles afirmaram que a liderança passou do ceticismo à curiosidade e, depois, ao apoio ao longo do último ano.
Sob o comando do CEO Josh D'Amaro, a empresa trata a inovação tecnológica como prioridade. Em teleconferência de resultados, ele disse que a IA deve tornar a produção mais eficiente e ampliar o volume de conteúdo lançado.
A Disney chegou a firmar uma parceria com a OpenAI para gerar vídeos com IA no Disney+, mas a empresa de Sam Altman vetou o acordo em março.QUERO APROVEITAR ESSA OPORTUNIDADE
O engenheiro de maior uso relatou que passou a trabalhar das 6h às 17h, em vez do horário comercial das 9h às 17h. Disse não se incomodar, desde que a remuneração seja justa pela produtividade. O relato se alinha a um estudo da Harvard Business Review, segundo o qual a IA não reduziu o volume de trabalho, mas intensificou a carga.
Um segundo engenheiro, que se descreveu como usuário de nível intermediário, contou que delega tarefas aos agentes enquanto cuida de afazeres domésticos, como limpar a casa ou buscar uma receita na farmácia. Ele disse continuar trabalhando e participando de reuniões, e que não acredita que suas teclas sejam monitoradas.
O mesmo profissional apontou excessos. Segundo ele, há quem use IA sem necessidade, como na codificação por impulso, prática de criar software pedindo à IA que escreva o código, mesmo quando já existem ferramentas semelhantes sem IA.
O relato reúne pontos que valem para outras áreas: agentes automatizam etapas de um trabalho, mas exigem supervisão humana, o uso precisa ter finalidade clara e os ganhos de produtividade podem vir acompanhados de jornadas mais longas.