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O futuro do trabalho exige novas habilidades humanas na era da inteligência artificial (Magnific/Divulgação)
diretor de Relações Humanas
Publicado em 21 de outubro de 2026 às 14h00.
O mundo do trabalho entrou em um ponto de inflexão. A combinação entre inteligência artificial, automação, dados e novas formas de colaboração está mudando as profissões em uma velocidade inédita. Se antes uma transformação tecnológica levava décadas para se consolidar, hoje ela acontece em meses. Isso exige uma mudança importante de mentalidade: já não basta formar profissionais para executar tarefas. É preciso preparar pessoas para aprender continuamente, tomar decisões em contextos incertos e trabalhar em parceria com a tecnologia.
É nesse cenário que surgem as chamadas habilidades do futuro. Elas não são um conjunto de competências “extras” ou um diferencial reservado a poucos. São, cada vez mais, a base da empregabilidade e da competitividade. Em outras palavras: não se trata apenas de dominar ferramentas técnicas, mas de desenvolver capacidades humanas que a tecnologia ainda não substitui.
Na TOTVS, enxergamos isso de forma muito concreta. Treinamos nossas 12 mil pessoas colaboradoras em IA e dados, com foco não apenas no uso das ferramentas, mas também no desenvolvimento de pensamento crítico, responsabilidade ética, adaptabilidade e visão de negócios. A mensagem é clara: tecnologia sem preparo humano gera ruído. Tecnologia com gente preparada gera valor.
Entre tantas competências relevantes, cinco se destacam como centrais para o futuro do trabalho.
A primeira é o aprendizado contínuo e a adaptabilidade. Vivemos a era do lifelong learning. O conhecimento envelhece rápido, as funções mudam, os processos se renovam e novas demandas surgem o tempo todo. Por isso, o profissional do futuro não será definido pelo que sabe hoje, mas pela sua capacidade de aprender o que for necessário amanhã. Aprender continuamente deixou de ser uma opção e passou a ser uma condição de permanência e evolução.
A segunda é o pensamento estratégico e inovador. Se as máquinas analisam dados, identificam padrões e automatizam tarefas, cabe às pessoas interpretar contextos, fazer escolhas e criar caminhos novos. Estratégia é entender o que realmente importa. Inovação é transformar essa visão em ação. Empresas que estimulam esse tipo de pensamento conseguem não só resolver problemas, mas também antecipá-los e criar novas oportunidades. Na TOTVS, iniciativas como o programa “Gente que faz” - que reconhece iniciativas e projetos internos que inovaram e se destacaram em suas áreas - reforçam justamente essa cultura de protagonismo e melhoria contínua.
A terceira habilidade é a inteligência relacional e inclusiva. O trabalho está mais diverso e mais colaborativo. Isso significa lidar com diferentes gerações, formações, culturas, expectativas e estilos de atuação. Nesse cenário, saber se comunicar, ouvir de verdade, construir confiança e incluir perspectivas distintas não são detalhes: são fatores de performance. Equipes diversas e com confiança para atuar inovam mais, decidem melhor e constroem soluções mais robustas.
A quarta é a autoliderança e a gestão emocional. O futuro será exigente, acelerado e, muitas vezes, incerto. Nesse ambiente, os profissionais precisam saber se organizar, administrar emoções, manter equilíbrio sob pressão e assumir responsabilidade pela própria trajetória. A autoliderança é a base da autonomia. E a inteligência emocional é o que sustenta relações saudáveis, decisões mais maduras e performance consistente ao longo do tempo. Em um mundo em que parte das tarefas técnicas será feita por sistemas inteligentes, a capacidade de cuidar de si e de se conduzir com responsabilidade ganha ainda mais valor.
A quinta habilidade é a consciência digital e a responsabilidade tecnológica. Não basta saber usar ferramentas. É preciso entender seus impactos, limitações e riscos. Isso inclui noções de segurança, privacidade, vieses algorítmicos e uso ético da inteligência artificial. O profissional do futuro precisa saber de tecnologia, sim — mas também consciente. Porque a pergunta deixou de ser apenas “como usar a tecnologia?” e passou a ser “como usar bem, com critério e com responsabilidade?”.
Diante disso, a pergunta mais importante é: como preparar as pessoas para esse novo cenário?
A resposta não está em treinamentos isolados, mas na construção de uma cultura de aprendizagem contínua. Empresas que querem prosperar no futuro precisam tratar o desenvolvimento como parte da estratégia, e não como uma atividade periférica. Também é essencial apostar em métodos mais vivos de aprendizagem: projetos reais, job rotation, mentorias, laboratórios de inovação e trilhas híbridas e personalizadas. Aprende-se muito mais quando se aplica, testa, ajusta e compartilha. E tudo isso depende de líderes preparados para incentivar a autonomia, dar feedbacks frequentes, criar segurança psicológica e desenvolver talentos com sensibilidade humana.
No fim das contas, o desafio não é escolher entre tecnologia e pessoas, mas entender que o verdadeiro diferencial está na combinação entre ambas. O futuro pertence a quem aprende rápido, pensa de forma estratégica, valoriza relações, cuida de si e usa a tecnologia com responsabilidade. E isso começa agora.