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No trabalho, a Geração Z carrega alguns estereótipos – “preguiçosos”, “mimados”, “sem vontade de nada” – que tanto incomodam quanto desafiam as gerações mais antigas. Os adjetivos, claro, são fatores que podem se aplicar a qualquer pessoa, de qualquer momento da história. Mas é fato que, diferentemente de todas as outras, existe um jeito ‘Z’ de fazer as coisas: não é à toa que termos como “burnout” ou “quiet quitting” surgiram à medida que os nascidos a partir de 1995 entraram no mercado de trabalho.

No Recife, uma aceleradora digital comandada pelos ‘Z’ está saindo dos moldes e fechando parcerias com empresas como Suvinil, Ipiranga e Bayer. Criada em 2020, a Loomi foca em IA e aplicativos e teve faturamento de R$ 10 milhões em 2023.

Por trás da aceleradora estão, em sua maioria, alunos da Universidade Federal de Pernambuco: a UFPE complementa o polo tecnológico que é o Recife e existe há tanto tempo quanto a USP – desde 1827. Hoje, a universidade pública tem parcerias com empresas importantes do segmento de tecnologia, como a Motorola, e já ajudou no nascimento de 120 startups, incluindo a empresa de cibersegurança Tempest.

“Eles [Gen Z] já entendem que essa cultura [de trabalho] é meio que uma farsa”, disse Dante de Freitas, 43 anos, um dos sócios (e millennials) da Loomi. Segundo o CEO, Gabriel Albuquerque, a média de idade na Loomi é de 24 anos. “Nós nunca fazemos algo sem entender o porquê daquilo – acho que isso é um traço da Geração Z”, disse o jovem executivo. 

A ‘busca pelo motivo’ é algo evidente no processo de trabalho da Loomi. A aceleradora trabalha com foco em duas linhas: IA generativa (chatbots como o ChatGPT) e IA preditiva (previsões com dados para otimizar o dia a dia de uma fábrica, por exemplo), mas não oferece nada antes de entender profundamente a situação daquela empresa. 

A Suvinil, por exemplo, adquiriu um novo processo de atendimento em um mês de parceria com a Loomi. Segundo Albuquerque, a aceleradora escutou as demandas da empresa, mas foi atrás da raiz do problema nas lojas, conversar com os vendedores de tinta . 

“Ele que tem a decisão, porque ele vai nos mostrar o que faz sentido para ele”, explica o jovem de 25 anos, que buscou respostas sobre aplicações de tinta e outras dúvidas que costumam chegar aos vendedores. “Nós damos esses passos para trás porque a empresa não quer só uma IA. Ela quer melhores vendas, suporte e melhor avaliação de mercado”.

Ao longo do mês seguinte, a Loomi mapeou a jornada do cliente – desde a escolha de tinta até a compra do produto – e criou um chatbot para o site da Suvinil. A IA é capaz de responder dúvidas de materiais e aplicações, mas também sugerir cores e estilos de pintura de parede. Alguém pode, por exemplo, pedir pela cor ideal para o quarto de um menino de seis anos que adora filmes da Marvel.

Hoje em dia, oferecer um chatbot não está longe da realidade de muitas empresas e aceleradoras de tecnologia. Mas a Loomi garante que seu diferencial está no lado humano – e ‘Z’ – da coisa. “Entendemos que todo o produto tem um usuário, então, quanto mais próximo do humano que vai estar utilizando aquilo, melhor”, disse o CEO.

“As empresas têm dificuldade em contratar pessoas da nossa idade porque não conseguem engajá-las. Eles [Gen Z] não fazem só porque alguém está mandando, eles pensam: qual o valor que entrego fazendo isso? Que transformação estou trazendo?”, indaga Albuquerque. A Loomi tem expectativa de faturar R$ 20 milhões em 2024.

*A jornalista viajou para o Recife à convite da Loomi

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