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Claude: Anthropic cria marca d'água para textos produzidos com IA (Imagem gerada por IA/Exame)
Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 12 de agosto de 2026 às 10h59.
A Anthropic começou a inserir marcas d'água legíveis por máquina em textos gerados pelo Claude e metadados de procedência em arquivos criados pela ferramenta, anunciou a empresa na segunda-feira, 10.
A mudança atende ao Código de Prática sobre Transparência de Conteúdo Gerado por IA do Artigo 50(2) da Lei de IA da União Europeia, que a Anthropic assinou como fornecedora de modelos e de sistemas de inteligência artificial.
Segundo a Anthropic, modelos do Claude lançados a partir de 2 de agosto tecem uma marca d'água imperceptível diretamente no texto gerado.
A empresa afirma que o sinal não altera o significado, a qualidade ou a legibilidade da resposta.
Por fazer parte do próprio texto, ele viaja com o conteúdo quando copiado e colado em outro lugar, e pode sobreviver a algumas edições. A marcação ocorre no nível do modelo — ou seja, aparece independentemente do texto ter sido gerado pelo chatbot, pela API ou por ferramentas como o Claude Code.
Isso significa que, por exemplo, em um texto, para cada palavra escolhida, o modelo tem outras opções que fariam sentido na frase — e passa a preferir, de forma sutil, um grupo específico dessas opções.
A Anthropic não detalhou publicamente o algoritmo por trás disso. Mas a técnica acadêmica mais usada para esse tipo de marcação em texto, batizada de "lista verde e lista vermelha", segue essa lógica: uma chave secreta divide o vocabulário do modelo em dois grupos antes de cada palavra gerada, e o Claude passa a favorecer, discretamente, as palavras do grupo "verde".
O efeito é estatístico, não visual. Um texto gerado por IA acaba tendo mais palavras do grupo "verde" do que teria um texto escrito por uma pessoa, que não segue essa divisão.
Ninguém percebe a olho nu — mas uma ferramenta que conhece a chave consegue calcular a probabilidade daquele padrão estar presente. É como se a empresa imprimisse, em cada texto gerado pelo Claude, uma marca d'água invisível — parecida com a que existe em cédulas de dinheiro, que só aparece sob luz ultravioleta. Qualquer pessoa pode segurar e usar a nota, mas só quem tem a lanterna certa consegue enxergar o sinal escondido.
Para arquivos como .svg, .png e .jpg, o Claude passa a anexar metadados de procedência assinados, seguindo o padrão aberto C2PA (Coalition for Content Provenance and Authenticity), já usado por outras empresas do setor.
Segundo a Anthropic, a presença desse selo indica que o arquivo foi processado pelo Claude e permite identificar se ele foi adulterado depois.
A cobertura, segundo a empresa, se estende a toda a linha de produtos que usam modelos compatíveis: Claude Platform (API), o chatbot Claude, Claude Code, Claude Cowork e Claude Tag.
As marcas também aparecem quando os modelos são acessados via AWS, Google Cloud ou Microsoft Foundry — embora os metadados assinados em arquivos possam não estar disponíveis em todas essas plataformas. A regra vale globalmente, não apenas para usuários na União Europeia.
A própria Anthropic lista limitações do sistema. Um sinal detectado indica apenas que o conteúdo pode ter passado pelo Claude — não confirma a autoria original, já que o modelo é usado com frequência para revisar, traduzir ou resumir textos de terceiros. Também não há garantia de que o conteúdo permaneça inalterado depois do processamento.
Por outro lado, a ausência de marca não comprova que o conteúdo não foi gerado por IA: edições pesadas, traduções, trechos muito curtos ou a conversão de formato de um arquivo podem apagar o sinal.
A exigência da lei europeia prevê um período de transição para modelos da Anthropic lançados antes do dia 2 de agosto, e a empresa diz estar trabalhando para estender a marcação também a eles.
A ferramenta pública para detectar as marcas ainda não foi lançada — a Anthropic afirma que vai compartilhar detalhes técnicos sobre o mecanismo de detecção em documentação futura.