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AI Operations: o novo cargo que faz a inteligência artificial funcionar nas empresas (Magnific)
Jornalista
Publicado em 29 de setembro de 2026 às 15h16.
tartups estão criando uma função que fica entre tecnologia, operações e estratégia: o profissional de AI Operations, ou AI Ops. Em vez de desenvolver um modelo de inteligência artificial do zero, ele trabalha para colocar ferramentas e agentes de IA dentro dos processos da empresa.
Vagas publicadas em 2026 por startups como Squint, Broccoli AI e Reindeer descrevem profissionais responsáveis por construir automações, criar agentes internos, avaliar resultados e encontrar tarefas que podem ser realizadas com IA.
O trabalho começa antes da escolha da ferramenta. O profissional precisa entender como uma equipe trabalha, identificar tarefas repetitivas e avaliar onde a IA pode ser incorporada.
Na vaga de AI Operations Lead da Squint, por exemplo, a função envolve criar agentes e fluxos automatizados para áreas como suporte e operações, além de desenvolver mecanismos para verificar se essas soluções estão funcionando corretamente.
Na Broccoli AI, a descrição inclui a criação de dashboards, ferramentas internas e agentes para áreas como vendas e atendimento ao cliente. A empresa também atribui ao profissional a tarefa de acompanhar e melhorar o desempenho desses sistemas.
Na prática, a rotina pode envolver:
Apesar de trabalhar diretamente com inteligência artificial, o profissional de AI Operations não necessariamente desenvolve modelos de linguagem ou sistemas de machine learning.
A diferença está principalmente no tipo de problema resolvido. Um engenheiro pode trabalhar na arquitetura de um sistema ou no desenvolvimento de modelos. Já o profissional de AI Operations procura entender como uma tecnologia existente pode ser aplicada à rotina da empresa.
Uma startup pode, por exemplo, ter um modelo capaz de analisar documentos. O profissional de AI Operations pode transformar essa capacidade em um fluxo que recebe arquivos, extrai informações, organiza os dados e envia os resultados para outro sistema.
A expansão dos agentes de IA aumenta também a necessidade de organizar o que acontece depois da implementação. Não basta disponibilizar uma ferramenta: é preciso definir onde ela será usada, como será avaliada e quando uma pessoa deve intervir.
Uma vaga recente da Mercury resume esse desafio ao apontar que projetos de IA podem enfrentar dificuldades justamente na etapa de transformar uma solução tecnológica em mudança efetiva na forma de trabalhar. A empresa procura um profissional para atuar próximo às equipes e converter o potencial da IA em melhorias mensuráveis.
Na Reindeer, outra startup em estágio inicial, o AI Operations Engineer trabalha na criação de ferramentas internas, automações e agentes para áreas como vendas, marketing, atendimento e finanças.
As vagas mostram que a função combina conhecimentos que tradicionalmente ficavam separados entre tecnologia e negócios.
Entre as competências procuradas estão:
Conhecimento de IA: entender modelos de linguagem, agentes, automação e limitações dessas ferramentas.
Visão de processos: identificar gargalos e tarefas repetitivas que podem ser modificadas.
Análise de dados: acompanhar métricas para verificar se uma automação realmente trouxe resultado.
Comunicação: conversar com equipes técnicas e profissionais de áreas como vendas, marketing, finanças e atendimento.
Capacidade de construção: em algumas empresas, o profissional precisa criar protótipos, integrações e automações usando ferramentas de IA e plataformas de workflow.
Uma vaga de AI Operations em São Paulo também combina atendimento, análise de dados, criação de assistentes de IA e automação de processos, mostrando que o cargo pode assumir formatos diferentes conforme a empresa.
AI Operations ainda não é uma profissão com escopo padronizado. As vagas analisadas usam títulos como AI Operations Lead, AI Operations Manager, AI Ops Engineer e AI Operations Specialist, e as responsabilidades variam entre empresas.
Em alguns casos, o foco está em automações internas. Em outros, envolve implementação para clientes, controle de qualidade ou infraestrutura técnica.
O ponto comum é a tentativa de transformar a inteligência artificial de uma ferramenta isolada em parte dos processos de trabalho. Por isso, o cargo tende a reunir competências de tecnologia, operações e gestão, especialmente em empresas que adotam agentes e automações em diferentes áreas.