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Há 15 anos, o Brasil se juntava a um grupo ainda seleto de países que empregavam um novo tipo de pagamento, o "contactless". Por aqui, a modalidade ficou conhecida como pagamento por aproximação. Hoje, a Visa estima que mais de 50% das transações realizadas em estabelecimentos comerciais envolvem a tecnologia, simbolizando a sua ampla adoção pelos brasileiros.

Mas, em 2008, esse cenário ainda parecia distante. É o que conta Alessandro Rabelo, diretor-executivo de soluções Visa, em entrevista exclusiva à EXAME. Rabelo fez parte da equipe da Visa Net, atual Cielo, que lançou a primeira solução de pagamento por aproximação no Brasil. O maior impacto, destaca, foi uma "mudança de cultura" entre os brasileiros.

"Foi algo muito prazeroso, ver aquilo virando uma realidade dentro de um laboratório, onde tudo começou. Desde 2008, todo esse grupo que participou não tinha dúvida que era o início de uma grande transformação dentro dos nosso sistema de pagamentos eletrônicos. Nem se cogitava outros casos de uso, como em transporte público, que vieram depois. Foi uma mudança cultural, uma agilidade pro comércio, realizando uma transação mais rápida e com segurança", destaca.

Um novo pagamento se aproximando

Rabelo destaca que chegar ao patamar de adoção que o pagamento por aproximação possui hoje não foi um caminho fácil: "Foram algumas aproximações que tivemos ao longo dos anos. Em 2008, quando tudo começou, os fabricantes não estavam preparados. Foi um processo de adaptação da cadeia produtiva como um todo, desenvolvimento de novas linhas de montagem. O cartão contacless tem uma antena dentro dele, então envolveu mudar todo o processo de fabricação e incluir nele".

O resultado, porém, tem sido positivo. "A sensação de aproximar o cartão da maquininha, sem nem encostar, e transformar isso em um pagamento, com todas as características de segurança de uma transação normal, é algo que deixou a gente encantado. Sempre foi o caminho a perseguir. A adoção hoje é a materialização do que começou há 15 anos", relembra o executivo.

Já Fernando Amaral, líder de inovação e soluções da Visa, destaca o esforço para transformar o pagamento por aproximação como "algo normal", graças a uma boa experiência dos usuários. Por trás disso, houve um "trabalho silencioso" de preparação de infraestrutura para quando a aceitação disparasse na população e estabelecimentos.

Esse evento, ou "acelerador", foi a pandemia de Covid-19. Desde então, o crescimento tem sido constante. Dados da Visa mostram que, em 2023, a modalidade de pagamento por aproximação teve um crescimento de 25% por mês.

"A gente já estava coma infraestrutura toda montada, aceitação pronta, todos os emissores em processo de envio de novos cartões com a tecnologia contactless. Com a pandemia e a necessidade de ter uma experiências mais rápida e simples e menos contato devido aos receios na época, isso propiciou uma forma de elevar o valor da transação por aproximação", comenta.

Ao mesmo tempo, foi na pandemia que o limite de pagamentos por aproximação foi expandido para R$ 200, ajudando na adoção. "Quando tem hardware envolvido, o processo demora mais. Mais de 50% das transações serem por aproximação em 15 anos é algo significativo", explica Amaral.

"Quando a tecnologia traz uma experiência simples, ela vai funcionar, a questão é que sempre tem os primeiros participantes que abraçam de maneira primária, e quando já tem volume grande, aí todo mundo percebe os benefícios e a coisa acelera", afirma o executivo.

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As dificuldades e as mudanças

Envolvido na primeira operação de pagamento por aproximação no Brasil, o banco Bradesco também enxerga uma série de vantagens nessa modalidade. André Marques, diretor do Bradesco Cartões, pontua que a tecnologia traz uma melhora na experiência de pagamento - mais cômoda -, uma viabilização de outros casos de uso, a realização de pagamento a partir de smartphones e smartwatches e uma combinação entre comodidade e segurança.

"A tecnologia NFC [que permite o pagamento por aproximação] além de trazer comodidade e mais velocidade nos pagamentos, tem um componente de segurança, pois não há casos de invasão do sinal da antena. No mercado brasileiro, os emissores criaram mecanismos digitais para aumentar a segurança para o cliente, como a possibilidade de bloquear a compra por NFC caso o cliente assim preferir", destaca.

Carlos Alves, vice-presidente de tecnologia e produtos da Cielo, pontua ainda que o pagamento por aproximação se tornou "uma tendência que veio para ficar". O motivo é que ela é uma tecnologia "que beneficia tanto comerciantes quanto compradores". Já como vantagens, ele destaca a garantia de segurança e privacidade aliada a uma agilidade nas transações.

A combinação permite ter "uma experiência mais fluida e rápida na jornada de compras, o que enxergamos como principal benefício. Outro benefício é a possibilidade da utilização de carteiras digitais, pulseiras e dispositivos e adesivos, por exemplo, o que permite que o consumidor não precise necessariamente sair com o cartão físico, utilizando apenas o smartphone para pagar".

"Esta é uma tecnologia que está presente no cotidiano dos brasileiros. Ao longo dos anos, os pagamentos por aproximação contribuíram positivamente com a sociedade. Quando o país se encontrava em uma crise sanitária, o pagamento por aproximação se mostrou uma alternativa mais segura por não exigir o contato das mãos em uma máquina de cartão e, desde então, ela tem sido amplamente explorada", lembra.

Os próximos passos

Amaral, da Visa, acredita que os pagamentos por aproximação ainda têm "muito espaço para crescer". Como tendências que devem ajudar na expansão da modalidade, ele cita a transformação de aparelhos em "maquininhas", o uso para mobilidade urbana, em pagamentos no transporte público, e uma solução em desenvolvimento pela Visa de pagamento de estacionamentos por aproximação.

Já Marques, do Bradesco, destaca que o pagamento por aproximação vai permitir "desmaterializar o plástico e oferecer uma experiência digital instantânea para os clientes. Atualmente o Bradesco oferece um diferencial para seus clientes tanto nos canais digitais como nas agências, onde ele não precisa esperar o cartão chegar em casa para começar a utilizar".

Com isso, a tendência é que o cartão de plástico já comum no dia a dia da população perca cada vez mais espaço. Em seu lugar, "smartphones, smartwatches, computadores e tablets já estão disponíveis, mas outros equipamentos utilizados no dia a dia dos clientes como televisores, geladeiras, assistentes pessoais tem alto potencial para receber a capacidade de realizar pagamentos".

Alves, vice-presidente da Cielo, considera que a tecnologia por trás do pagamento por aproximação abre margem agora para "complementos tecnológicos que ajudam o cliente a pensar nesta solução de maneira integrada, aplicando de forma diferente para cada necessidade de negócio".

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