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Criadores de NFTs lucram US$1,8 bi em royalties: ‘melhor momento do ano para desenvolver’

Pesquisa aponta lucro bilionário em royalties de vendas secundárias de NFTs; apesar de queda significativa, tokens não fungíveis ainda representam oportunidade para artistas e desenvolvedores

Oportunidades no mercado de NFTs podem ir além dos royalties (Getty Images/Reprodução)

Oportunidades no mercado de NFTs podem ir além dos royalties (Getty Images/Reprodução)

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Mariana Maria Silva

Publicado em 27 de outubro de 2022, 09h04.

Uma pesquisa desenvolvida pela Galaxy Digital, do bilionário Mike Novogratz, revelou recentemente que os criadores de tokens não fungíveis (NFTs) lucraram cerca de US$ 1,8 bilhão até o momento com royalties de vendas secundárias. Ou seja, quando um investidor da coleção decide vender seu NFT, a empresa por trás da coleção recebe uma porcentagem sobre a transação.

Ainda que tenham apresentado queda no volume de negociações e na cotação em 2022, os royalties podem comprovar que o mercado de NFTs segue lucrativo. No entanto, a pesquisa realizada pelos analistas Sal Qadir e Gabe Parker também revelou que apenas 10 coleções concentram 27% deste valor.

Entre elas estão Bored Ape Yacht Club, CryptoPunks, Azuki, Moonbirds, The Sandbox, Doodles e VeeFriends, nomes que estrelaram entre o “hall da fama” dos NFTs em 2021 e 2022.

O relatório se baseia em dados da Flipside Crypto. De todos os royalties do mercado, 482 coleções concentraram 80% do valor de US$ 1,8 bilhão, o equivalente a quase R$ 9,7 bilhões.

Além de coleções famosas, grandes marcas também lucraram quantias significativas com royalties de seus NFTs. A Nike foi o maior destaque, com US$ 91,6 milhões. Adidas, Dolce & Gabanna e Gucci também apresentaram lucros substanciais, segundo a pesquisa.

No entanto, a questão dos royalties desperta uma série de discussões entre especialistas e criadores de NFTs. Isso porque a concessão de royalties não é uma obrigação, mas uma convenção entre marketplaces e plataformas que nos últimos tempos, estão optando por bloqueá-los ou torná-los opcionais.

“Se você é um investidor, você quer ter o maior retorno possível, então quanto menos taxas você pagar, melhor. Esses marketplaces [que bloqueiam ou tornam os royalties opcionais] começaram a ganhar muito espaço e os que forneciam royalties começaram a deixar como opcional ou zeraram também”, contou Caio Barbosa, co-CEO da LUMX Studios, empresa envolvida na criação de alguns dos NFTs de maior sucesso no cenário brasileiro, como os Pistol Birds, da Reserva, e 55 Unity, que já movimentaram mais de R$ 3 milhões.

(Mynt/Divulgação)

Monetização além dos royalties

Se, por um lado o bloqueio dos royalties vai contra um dos argumentos dos NFTs, de dar o poder de volta aos criadores e artistas, por outro pode ter incentivado a criação de outras formas de monetizar as coleções de tokens não fungíveis.

“Um dos principais argumentos dos NFTs e da Web3 no início era dar o poder de volta aos criadores e artistas, que passariam a poder ganhar dinheiro em cima de suas obras na internet. Esse movimento de agora meio que foi contra tudo isso”, explicou Caio, em entrevista à EXAME.

“Mas por outro lado, gerou um ponto bem positivo, porque o mercado estava se moldando de forma que a única forma de receita das coleções de NFTs eram baseadas em royalties. Então você dependia de uma pessoa querer vender o seu ativo para poder ganhar os royalties em cima daquela venda. Isso gerou uma discussão sobre a sustentabilidade dos royalties e como os criadores de NFTs poderiam monetizar de outras formas”, acrescentou o co-CEO.

Muitos especialistas do setor defendem a aplicação de outras formas de monetização sobre os NFTs. É o caso de Leonardo Carvalho, CEO e cofundador da NFTFY, startup focada na fracionalização como uma forma de democratização do acesso aos NFTs.

“Projetos de NFT-FI precisam criar atratividade para o usuário final e para a coleção os que encontrarem o melhor meio termo irão se destacar no longo prazo”, disse Leonardo, em entrevista à EXAME.

Segundo Leonardo, empresas criadoras de NFTs que barram a revenda ou processam marketplaces que não pagam royalties estão “matando a composabilidade das finanças descentralizadas (DeFi), que é o maior benefício final para os usuários e onde está se criando um ambiente incrível de inovação”.

“Esses pontos são um atentado contra a liberdade da Web3”, justificou. Conhecida como a nova fase da internet, a Web3 engloba a tecnologia blockchain, criptomoedas e NFTs.

Recentemente, o maior marketplace de NFTs da Solana anunciou que também tornaria o pagamento de royalties opcional. O Magic Eden buscava recuperar uma parcela do mercado que estava perdendo para plataformas concorrentes.

“Entendemos que esse movimento tem sérias implicações para o ecossistema”, disse o marketplace no Twitter, acrescentando que espera “ver novos padrões que protejam os royalties” desenvolvidos.

A Metaplex, criadora do atual padrão NFT de Solana, disse na quinta-feira que está desenvolvendo um novo padrão que pode aplicar royalties em blockchain.

Oportunidades no mercado de NFTs

Independente do caminho que os royalties tomarão no mercado de NFTs, especialistas concordam que o setor ainda tem muitos passos a percorrer até atingir a maturidade, e que ainda pode apresentar uma série de oportunidades para desenvolvedores, criadores e artistas.

O momento de queda generalizada entre os NFTs pode ser o momento em que os projetos mais inovadores vão surgir, apontou Caio Barbosa, da LUMX Studios.

“É um momento em que muitas marcas estão experimentando. Os projetos mais inovadores surgem agora”, disse.

“Para quem quer hype não é o melhor momento. Para quem quer vender bilhões talvez não seja o melhor momento. Mas para quem quer experimentar e ter projetos bem construídos, é talvez o melhor momento do ano para fazer coisas envolvendo NFTs”, concluiu, em entrevista à EXAME.

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