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Felippe Percigo: Os NFTs não morreram

Pelo contrário. A tecnologia está evoluindo para que eles se tornem cada vez mais “vivos”. Conheça os novos NFTs dinâmicos, ou dNFTs, que podem mudar com o tempo e com acontecimentos do mundo real

Mercado de NFTs ainda apresenta oportunidades (GettyImages/Reprodução)

Mercado de NFTs ainda apresenta oportunidades (GettyImages/Reprodução)

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Felippe Percigo

29 de outubro de 2022, 10h43

O ano de 2021 foi marcado por uma farra dos NFTs. A galera estava descobrindo a tecnologia, super empolgada com o brinquedo novo, e não economizou: apostou alto nos tokens. Por isso, alguns chegaram a “ir à lua”, como dizemos no mercado.

Ativos de jogos play-to-earn, do metaverso e PFPs (os JPEGs de perfil de rede social) foram vendidos, muitas vezes, por centenas de milhares de dólares e se tornaram o supra-sumo da criptoesfera.

Isso pode até soar excelente para alguns, mas não é. O primeiro problema é que tudo que sobe, desce.

Problema de número dois: quanto maior a subida maior a queda.

Depois que os penetras, a.k.a. especuladores, deixaram a festa no ano passado, a poeira baixou e a realidade ficou à mostra. Contraintuitivamente, isso é bom. Acredite.

O mercado de NFT hoje, apesar do solavanco sofrido com as questões da macroeconomia, está se estabilizando, com belos contornos sustentáveis, movido por comunidades comprometidas com negociações mais justas. A perseguição frenética pelo lucro deu lugar à busca pela utilidade do token.

É para comemorar, pois um novo capítulo está sendo escrito. Os projetos trabalham para desenvolver NFTs que consigam gerar benefícios à sociedade e inovem em aplicações de larga escala para a indústria do mundo real.

(Mynt/Divulgação)

Uma nova categoria de tokens não fungíveis tem sido aperfeiçoada para fortalecer as bases dessa ponte entre o real e o virtual. São os NFTs dinâmicos, ou dNFTs, também conhecidos como NFTs “vivos”, o que diz bastante sobre o seu funcionamento.

Os NFTs clássicos, os mais populares, são estáticos. Ou seja, os seus metadados não mudam. Praticamente, isso significa que a representação visual dos NFTs permanecerá a mesma enquanto sua blockchain existir. A coleção Cryptopunks, por exemplo, é formada por NFTs estáticos.

Logicamente, os NFTs dinâmicos têm metadados que podem ser alterados e, assim, a representação visual do NFT também pode mudar. As alterações são feitas através do uso de contratos inteligentes construídos e programados para se adaptar em resposta a dados e eventos externos.

A seguir, apresento alguns casos de uso para termos uma ideia mais clara do mecanismo. Começo pela arte, área que sem dúvida foi profundamente impactada com o desenvolvimento da tecnologia.

Casos de uso dos dNFTs

Oferecem novas possibilidades de criação para artistas

Os NFTs de arte não precisam mais ser apenas estáticos, eles podem finalmente ganhar vida. Isso só é possível, no entanto, com o apoio de dados off-chain coletados por fontes que monitoram o mundo real. Esses dados podem ser informações de tempo, clima ou placares esportivos, por exemplo.

Analise o feito do artista digital Refik Anadol, que criou um NFT dinâmico da fachada da famosa Casa Batlló, um prédio com a assinatura do catalão Antoni Gaudí em Barcelona. Ele instalou sensores no edifício para captar as informações do ambiente. Assim, a obra, batizada sugestivamente de "Arquitetura viva”, é capaz de sofrer transformações na fachada em tempo real de acordo com os dados extraídos. O NFT foi vendido pela casa de leilão Christie’s, em Nova York, por US$ 1,38 milhão.

Desengessam os jogos em blockchain

Os NFTs dinâmicos permitem que os jogos em blockchain se modifiquem baseados no progresso do personagem e em outras interações. Dessa forma, novos níveis ou características são desbloqueados à medida que o personagem avança e esses dados podem ser armazenados nos metadados do token.

Imagine um game de competição automobilística. A velocidade e a eficiência de um carro podem aumentar quando o jogador, por exemplo, leva o veículo para a manutenção e coloca pneus novos. No entanto, com o uso, elas vão se desgastar e perder tração. Todas essas alterações podem ser programadas como parte de um NFT dinâmico.

Tornam os colecionáveis esportivos mais interativos

Dados extraídos de fontes que monitoram esportes em tempo real podem ser usados para tornar os NFTs tão enérgicos quanto as competições. A NBA já utiliza a tecnologia e vem disponibilizando aos fãs do basquete tokens que mudam de visual de acordo com o desempenho de jogadores na arena.

No universo dos colecionáveis esportivos, os dNFTs iniciam uma nova era. Antes, quem colecionava cards só podia expandir a coleção comprando mais. Agora, já se pode ter uma coleção que evolui com o tempo.

Aprimoram a tokenização de ativos, certificações e identidade do usuário

O passaporte é um exemplo emblemático dos benefícios dos dNFTs. Essa função não é a praia dos NFTs clássicos, já que eles não aceitam a atualização de dados. Enquanto isso, os dinâmicos são capazes de salvar versões diferentes do histórico de viagens, além de possibilitar alteração de informações do usuário.

Outro caso são os imóveis. Os dNFTs podem marcar as mudanças de uma casa com o passar do tempo, seja em relação à sua idade, valor de mercado, manutenções e reformas, vendas passadas, etc… A mesma coisa vale para os automóveis.

Potencializa a colaboração entre marcas e projetos NFT

As marcas passam a não precisar construir uma coleção NFT do zero, o que de fato é um processo demorado e exige um investimento robusto. Os dNFTs abrem espaço para que elas colaborem com projetos que já fazem sucesso no mercado.

Acessórios e outros objetos podem ser adicionados a artes NFT já existentes. Os PFPs estão entre os grandes beneficiados com a flexibilidade dos tokens dinâmicos. Eles podem ficar mais divertidos - e possivelmente mais valiosos - ao sair da condição estática, que já está bastante batida, concorda?

Bom, se você ainda acha que os NFTs são viagens de nerd tech, sem sentido nem utilidade, receba esse texto como sugestão para que faça uma nova pausa e reflita. Albert Einstein já dizia: “Se, a princípio, a ideia não é absurda, então não há esperança para ela”.

*Felippe Percigo é um investidor especializado na área de criptoativos, professor de MBA em Finanças Digitais e educa diariamente, por meio da sua plataforma e redes sociais, mais de 100.000 pessoas a investirem no universo cripto com segurança.

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