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As empresas WorldPay e FIS divulgaram nesta quarta-feira, 2, o Global Payment Report, que mostra qual é o cenário atual para os meios de pagamento no varejo. E o Brasil é o destaque na América Latina em termos de digitalização dessas opções, como afirma Juan Pablo D'Antiochia, vice-presidente sênior da WorldPay para a América Latina, em entrevista exclusiva à EXAME.

Os dados do levantamento mostram que o Brasil é o líder da região na modalidade Account to Account (Conta a Conta), que é onde o uso do Pix é contabilizado. O país possui a maior fatia de uso em relação ao total de pagamentos no e-commerce, representando 24% do total, contra 9% a nível mundial. Além disso, a pesquisa aponta um crescimento de 123% na modalidade entre 2021 e 2022, com previsão de alta de 23% até 2026.

O estudo destaque que "o Pix se tornou um meio de pagamento tão popular que virou quase um verbo: 'faz um Pix'". Além disso, o sistema acabou servindo de exemplo para os outros países da região, que também estão implementando suas versões próprias da ferramenta. É o caso do México, Argentina, Peru e Colômbia.

Segundo o relatório, apesar do cartão de crédito ainda ser a opção mais usada para realizar pagamentos na América Latina, a modalidade está "lentamente perdendo participação" para alternativas como Account to Account e carteiras digitais. Enquanto os cartões devem crescer 7% até 2026, as duas modalidades devem expandir 22% e 21%, respectivamente.

"Na América Latina, o Brasil está na liderança na agenda de digitalização. O Banco Central está na liderança, em agendas no tema, como Open Banking, com um foco maior e uma demanda no setor financeiro maior que em outros mercados ao definir as iniciativas. O Pix é o sinal disso. Está muito na frente do resto, mas a escala contribui muito também", pontua D'Antiochia.

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Cenário global de pagamentos

O vice-presidente da WorldPay avalia que o relatório aponta três grandes tendências para a área de meios de pagamento. A primeira é o avanço da modalidade Account to Account graças aos pagamentos instantâneos, com o Brasil entre os destaques. Há, ainda, uma continuidade da expansão do uso das carteiras digitais, que já são o meio de pagamento mais usado a nível global. Por fim, foi detectado também um crescimento do Buy Now, Pay Later (Compre Agora, Pague Depois), já popular no Brasil com o chamado crediário.

Além disso,D'Antiochia destaca que o crescimento do e-commerce voltou a ganhar tração e manteve uma expansão de dois dígitos. O desempenho "parece óbvio, mas não é. Em 2019, algumas pessoas já falavam de desaceleração do e-commerce no Brasil, mas a pandemia relançou o setor e esse crescimento se manteve ainda hoje. Mesmo com a desaceleração, ainda está muito saudável".

Nesse sentido, o executivo afirma que a pandemia de Covid-19 foi "muito marcante" no segmento de meios de pagamentos: "Ela não criou novas tendências, mas impulsionou tendências já existentes, mas que ainda eram iniciais. O Pix é o maior exemplo disso. Ele ganhou uma velocidade absurda em um período de tempo muito curto porque atendeu a uma necessidade muito represada do mercado".

Outro exemplo de meio de pagamento impulsionado nesse período é o de carteiras digitais. O Global Payments Report mostra elas tiveram uma participação de 49% no valor transacionado globalmente no e-commerce. Em pontos de venda, a participação foi de 32%. Apesar disso, os cartões de crédito e débito continuam com participação relevante, chegando a 1/3 do valor transacionado.

Na visão do WorldPay e da FIS, o uso do cartão de crédito deverá ser expandido a partir das carteiras digitais, com uso de Buy Now, Pay Later e financiamentos nos pontos de venda. Para D'Antiochia, muitas das novas ferramentas para pagamentos "são infraestrutura para outras". "O Pix e outros permitem que o setor de fintech trabalhe com outros elementos, o chamado embeded finance, que é embutir um produto financeiro em uma transação".

Além disso, também é importante considerar que o sucesso de um meio de pagamento em um país, e de uma ferramenta em específico, também depende do contexto de cada país. Em geral, o executivo avalia que "a ferramenta se adequa à realidade do mercado".

Já o dinheiro em espécie continua a cair, mas o relatório avalia que o mais provável é que eles ainda tenha um uso estável até que comecem a ser substituídos pelas moedas digitais de bancos centrais (CBDCs, na sigla em inglês). "Vai ter uma redução drástica do dinheiro em espécie, mas dificilmente vamos ver ele desaparecer no curto prazo. Tem vários motivos, estruturais, como economia informal, acesso a tecnologia e infraestrutura", pondera o executivo.

Sobre as criptomoedas, o relatório aponta que elas ainda estão "engatinhando" como uma opção de pagamento de pessoas para empresas, mas começam a mostrar viabilidade. D'Antiochia pontua que a estrutura de pagamento com cripto já existe, mas ela ainda não é muito utilizada porque "as criptos ainda são enxergadas como um veículo de investimento".

"As criptomoedas ainda tem o desafio de lidar com a alta volatilidade, o que é risco e oportunidade para quem recebe como pagamentos. As CBDCs vão facilitar muito, eliminar esse risco de volatilidade, mas não é que tenha um baixo nível transacional por falta de ferramental, é falta de demanda tanto de quem quer pagar com esse tipo de produto quanto quem poderia receber como pagamento. Eventualmente pode chegar a ter relevância", diz o vice-presidente da WorldPay.

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