O Brasil vai conseguir transformar sua vantagem energética em competitividade ou vai travar nos gargalos da infraestrutura?
Essa é a pergunta que move o "Redes do Amanhã", evento promovido pela EXAME e PSR no próximo dia 29 de abril, a partir das 8h30, em Brasília (DF).
O encontro reunirá autoridades, executivos e especialistas para debater os rumos do setor elétrico brasileiro em um momento de transformação acelerada.
Com foco em regulação, investimentos e novas demandas, o debate será em tono do papel da energia no desenvolvimento econômico do país, especialmente diante da expansão das fontes renováveis e da pressão crescente por eletricidade com a IA e novas tecnologias.
O Brasil parte de uma posição privilegiada: possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com quase 90% da geração proveniente de fontes renováveis, como hidrelétricas, eólica e solar. Nos últimos anos, no entanto, esse avanço veio acompanhado de novos desafios estruturais.
Em entrevista recente à EXAME, Glauco Freitas, presidente da Hitachi Energy no Brasil e Head of South LATAM, destacou que o país vive um momento de inflexão.
“Demos um salto de mais de 30% em cinco anos na capacidade instalada de geração, puxado principalmente por eólica e solar. Mas a rede de transmissão não cresceu na mesma velocidade”, afirmou.
Esse descompasso cria um paradoxo: há abundância de energia renovável disponível, mas a infraestrutura ainda não é capaz de escoar toda essa produção para os grandes centros consumidores.
“Hoje, a rede não está preparada para transmitir tudo o que é produzido. Falta robustez, flexibilidade e inteligência”, acrescentou o executivo.
O tema será central no painel sobre perspectivas regulatórias e de investimentos para a transmissão de energia, que deve discutir caminhos para modernizar e expandir a rede elétrica brasileira.
Boom da IA: a pressão por infraestrutura
Ao mesmo tempo em que enfrenta gargalos na transmissão, o país vê crescer rapidamente a demanda por energia em meio à uma onda de eletrificação da economia.
Com energia abundante, renovável e competitiva, especialistas acreditam que há uma oportunidade única batendo à porta do Brasil, e uma das peças-chaves é justamente investir em infraestrutura.
Entre os principais vetores dessa transformação estão os data centers, impulsionados pelo avanço da inteligência artificial.
++ Leia mais: Clube ESG: IA impulsiona corrida por data centers verdes e coloca Brasil no radar global
O crescimento acelerado da IA está redesenhando o mapa global de energia e o Brasil surge como um dos principais candidatos a protagonizar esse movimento.
O país combina uma vantagem rara: abundância de renováveis, território disponível e um mercado digital em expansão.
A escala da demanda chama atenção. Data centers dedicados à inteligência artificial podem consumir até dez vezes mais energia do que estruturas tradicionais. Hoje, cerca de 1,5% de toda a eletricidade global já é destinada a essas operações e o número deve dobrar até o fim da década.
Com projeções de até US$ 92 bilhões em investimentos no setor até 2031, o Brasil tem diante de si uma oportunidade estratégica, com potencial de multiplicar sua capacidade instalada nos próximos anos.
Esse será o foco do painel “Desbravando o setor de data centers”, que deve explorar o impacto dessas infraestruturas na demanda energética e na necessidade de modernização da rede.
O protagonismo das baterias
Além da expansão da transmissão, outro desafio do sistema elétrico brasileiro é a intermitência das fontes renováveis. Enquanto a geração solar ocorre durante o dia e a eólica depende do vento, o pico de consumo acontece no início da noite.
Esse desencontro pressiona o sistema e exige o acionamento de fontes mais caras e poluentes, como termelétricas.
Nesse contexto, ganham protagonismo os sistemas de armazenamento em baterias (BESS), que funcionam como um “reservatório inteligente”: armazenam energia nos momentos de sobra e a liberam nos horários de maior demanda, ajudando a estabilizar a rede e reduzir custos.
O tema ganha ainda mais relevância diante da expectativa para o primeiro leilão de baterias do Brasil, previsto para este ano, com potencial de movimentar mais de R$ 10 bilhões e contratar cerca de 2 gigawatts de capacidade.
Para o presidente da Hitashi, o desafio do país agora é equilibrar crescimento, sustentabilidade e custo.
Um debate estratégico para o país
O Redes do Amanhã reunirá diferentes elos da cadeia elétrica: governo, planejamento, regulação e indústria, com foco em discutir soluções concretas e antecipar tendências.
Confira os palestrantes:
- Amanda Fernandes, Head da área de Redes
- Angela Gomes, Diretora Técnica da PSR
- Carlos Adolfo Pereira, Coordenador do Comitê de Transmissão da Abdib
- Fábio Nugnezi, Vice-presidente de marketing e vendas da Hitachi Energy no Brasil
- Fernando Colli Munhoz, Secretário-Executivo Adjunto do Ministério de Minas e Energia
- Glauco Freitas, Presidente da Hitachi Energy no Brasil e Head of South LATAM
- Gustavo Naciff, Assessor da presidência da EPE
- Mateus Cavaliere, Head de Planejamento e Inteligência de Mercado na PSR
- Paulo Pedrosa, Presidente da ABRACE Energia
- Ricardo Brandão, Diretor Executivo de Regulação da ABRADEE
- Thiago Dourado Martins, Superintendente de Transmissão de Energia da EPE
- Wilson Ferreira Jr., CEO da Matrix Energia
O evento é aberto ao público e os interessados em participar presencialmente em Brasília podem realizar a inscrição neste site.
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Unipar: destaque na categoria Petróleo, Gás e Químico
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Hospital Israelita Albert Einstein: vencedor na categoria Saúde
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Sabin: destaque na categoria Saúde
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EcoRodovias: ganhadora da categoria Transporte e Logística
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Motiva (ex-CCR): destaque na categoria Transporte e Logística
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Localiza: destaque na categoria Transporte e Logística
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Aegea: vencedora na categoria Tratamento de Resíduos e Economia Circular
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Sabesp: destaque na categoria Tratamento de Resíduos e Economia Circular
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Orizon: destaque na categoria Tratamento de Resíduos e Economia Circular
(Orizon: destaque na categoria Tratamento de Resíduos e Economia Circular)