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Entre dispositivos, ciência e escolhas, o segredo da longevidade

Em evento da EXAME, especialistas discutem como integrar tecnologia, avaliação médica e hábitos para antecipar riscos, preservar a autonomia e viver mais e melhor

O assunto foi debatido no evento Longevidade & Wellness, promovido pela EXAME e realizado na última terça-feira, 27, em São Paulo (Eduardo Frazão)

O assunto foi debatido no evento Longevidade & Wellness, promovido pela EXAME e realizado na última terça-feira, 27, em São Paulo (Eduardo Frazão)

Caroline Marino
Caroline Marino

Jornalista especializada em carreira, RH e negócios

Publicado em 30 de outubro de 2026 às 16h00.

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Relógios que registram a frequência cardíaca e contam os passos, anéis que acompanham o sono e sensores que monitoram os níveis de glicose levam o acompanhamento da saúde para a rotina de inúmeras pessoas e movimentam um mercado bilionário.

De acordo com a IDC, as remessas globais de dispositivos vestíveis, conhecidos como wearables, somaram cerca de 148 milhões de unidades no segundo trimestre de 2026, alta de 2,7% em um ano. A GlobalData projeta que o setor alcance US$ 232,2 bilhões em 2030.

A multiplicação desses aparelhos, no entanto, traz um desafio: como transformar dados em decisões que ajudem a viver mais e melhor — não a gerar ansiedade ou diagnósticos equivocados. O assunto foi debatido no evento Longevidade & Wellness, promovido pela EXAME e realizado na última terça-feira, 27, em São Paulo.

Participaram da discussão o médico Chao Lung Wen, livre-docente da Faculdade de Medicina da USP e referência em saúde digital e telemedicina; Pedro Saddi, coordenador médico do Fleury Lifecare e consultor médico em endocrinologia; e Karla Camargo, médica nutróloga e docente da Afya.

Dados com finalidade

Segundo Lung Wen, que trabalha com o conceito de ecossistema de saúde digital, é preciso mudar a forma de oferecer os serviços. Não se trata de cuidar da doença, mas de promover saúde e qualidade de vida.

Diante do envelhecimento da população, ele propõe a ideia de “longevitalidade”, que associa o avanço da idade à preservação da capacidade funcional e da participação social.

Nessa perspectiva, prevê uma reconstrução desse segmento a partir de 2030, com maior atenção ao bem-estar e ao estilo de vida, por meio da telessaúde e do monitoramento domiciliar. “É nesse contexto que os wearables podem integrar o acompanhamento, conforme as necessidades de cada pessoa.”

Sem uma finalidade clara, o uso pode gerar ansiedade. O médico deu como exemplo jovens que procuram atendimento após receber um alerta de alteração do ritmo cardíaco, mesmo quando isso não representa um problema clinicamente relevante.

Em contrapartida, destacou o potencial desses recursos para identificar alterações e ajudar a evitar internações de pacientes acima dos 60 anos com insuficiência cardíaca em tratamento.

Biomarcadores e avaliação

A possibilidade de agir antes que os sintomas apareçam também orienta o avanço dos exames laboratoriais. Saddi lembrou que a medicina passou do tratamento de doenças agudas ao reconhecimento das doenças crônicas e de seus fatores de risco.

Agora, busca se antecipar ainda mais, com biomarcadores que ajudam a individualizar o atendimento.

Entre os exemplos citados está a lipoproteína(a), cuja concentração é predominantemente determinada pela genética e contribui para avaliar o risco cardiovascular. Esses recursos se somam a indicadores consolidados, como o LDL-colesterol.

Para o coordenador médico do Fleury Lifecare, os resultados laboratoriais devem ser integrados a outras informações, como informações dos dispositivos vestíveis e avaliações de força muscular e capacidade cardiorrespiratória. O objetivo é conhecer melhor cada um e propor medidas individualizadas de promoção da saúde.

Lung Wen acrescentou que a inteligência artificial pode apoiar o raciocínio clínico ao conectar essas informações, mas cabe aos médicos contextualizá-las, considerando os hábitos e as condições de vida do paciente, para definir a conduta.

Atitude, propósito e movimento

A composição corporal é outra dimensão desse olhar. Karla destacou sua influência para viver melhor e apontou a massa muscular como um preditor de longevidade. Ressaltou, porém, que é preciso considerar tanto a qualidade da musculatura quanto sua funcionalidade para realizar as atividades cotidianas.

A médica nutróloga explicou que o tecido muscular também tem função endócrina e produz substâncias chamadas miocinas, que atuam em outras partes do organismo.

Entre elas, citou a irisina, que ajuda a melhorar a cognição, a memória e o humor, além de exercer um papel protetor contra doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer. 

A recomendação dos especialistas para uma vida longeva e de qualidade é assumir uma postura ativa no cuidado com a saúde, rever hábitos e cultivar um propósito.

Karla resumiu em uma palavra: movimento. Tanto na prática de atividade física quanto na disposição para manter a vida ativa. O objetivo, afirmou, é “adicionar mais vida aos anos”.

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