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Pequenos gestos são ponto de partida para preservar meio ambiente

Para presidente da divisão Brasil da Arcos Dorados, operadora da rede McDonald's na América Latina, companhias devem começar a colocar a sustentabilidade em prática
 (Galeanu Mihai/Getty Images)
(Galeanu Mihai/Getty Images)
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Rogério Barreira*

Publicado em 22/11/2022 às 10:01.

Última atualização em 23/11/2022 às 07:38.

Reza a lenda carioca que Millôr Fernandes, durante suas caminhadas diárias pela praia do Arpoador, no Rio de Janeiro, aproveitava para recolher o lixo que encontrava jogado pela areia e pelo calçadão – papéis de bala, latas, garrafas, canudos. Não era o bastante para limpar toda a praia, é claro, mas o gesto garantia, ao menos, que seu pedacinho da cidade estaria mais limpo. Moral da história: Millôr intuía a importância das pequenas atitudes, irrelevantes à primeira vista, para a preservação do meio ambiente e a construção de uma sociedade mais sustentável.

O mesmo vale para as empresas. Uma companhia, sozinha, não tem o poder de solucionar todos os problemas ambientais do Brasil, mas ela pode dar sua valiosa contribuição, a começar pela escolha de seus fornecedores. 

A importância crescente da chamada agenda ESG (“ambiental, social e governança corporativa”, em tradução livre), como vimos na COP27 (Conferência do Clima das Nações Unidas), está levando cada vez mais empresas a buscarem fornecedores certificados, cujas atividades não provocam desmatamento, poluição ou abuso de mão-de-obra. Essa é uma estratégia que garante a manutenção de padrões éticos de gestão em toda a cadeia produtiva.

Ganha destaque também a ideia de economia circular. O descarte adequado do lixo pode garantir que quase a totalidade de materiais como plástico, papel, alumínio e até o óleo de cozinha retorne, de fato, para a roda da economia. Sem contar os investimentos em energia limpa (instalação de placas solares, por exemplo), a substituição do plástico comum por componentes mais sustentáveis e até o reaproveitamento da água das chuvas para a limpeza.

Rogério Barreira, presidente da divisão Brasil da Arcos Dorados

Rogério Barreira, presidente da divisão Brasil da Arcos Dorados (Divulgação/Divulgação)

Uma empresa precisa gerenciar seus resíduos sólidos, medir sua pegada de carbono, reduzir emissões de gases do efeito estufa, utilizar energias renováveis, promover a economia circular. Ao olhar com atenção para seu rol de atividades, toda companhia pode descobrir novas maneiras, por vezes muito simples, de reduzir seu impacto sobre o meio ambiente.

Faz parte do compromisso da Arcos Dorados, operadora da rede McDonald's na América Latina,  evoluir constantemente em suas iniciativas socioambientais, ciente de sua missão de contribuir positivamente para o mundo em que vivemos e, como líder do setor, ser um agente de transformação, influenciando toda sua cadeia de valor. A sociedade entende, afinal, que a soma de pequenas mudanças individuais, feitas por empresas ou por cidadãos, é chave para um futuro mais sustentável.

O Brasil tem exemplos práticos disso. Somos um dos países campeões em reciclagem de alumínio, com índices que se aproximam de 100%, à frente de nações como Japão e Estados Unidos. Somente em 2021, reciclamos cerca de 33 bilhões de latinhas de alumínio, de acordo com estimativa da associação de fabricantes. Isso também significa que quase 2 milhões de toneladas de gases do efeito estufa deixaram de ser emitidos.

Essas excelentes taxas são fruto do trabalho de milhares de catadores e pequenas cooperativas espalhadas pelo país. Ou seja, nossa liderança global nesse quesito não se deve à ação de “gigantes” da reciclagem, mas de indivíduos, muitos deles em condição de vulnerabilidade social, que realizam um trabalho de formiguinha Brasil afora.

Eis a potência das iniciativas locais. Com políticas adequadas, que contemplem inclusive a condição social das trabalhadoras e dos trabalhadores do ramo da reciclagem, o Brasil poderá ser muito mais sustentável aproveitando seu próprio know-how na construção dessas redes altamente capilarizadas de agentes ambientais.

Mais do que desejável, essa é uma mudança necessária. O país conta com uma Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) há mais de uma década, mas, na prática, avançou pouco. Apesar dos números excelentes no caso do alumínio, nosso índice nacional geral de reciclagem é de apenas 3%. Segundo os dados consolidados mais recentes, de 2019, apenas 41% da população conta com coleta seletiva.

 

A situação pede o engajamento de todos. Cada um de nós pode mudar pequenos aspectos do cotidiano em busca de uma sociedade mais sustentável. O corte de desperdícios, o hábito de separar lixo orgânico e reciclável, o descarte correto de cada tipo de material, a opção por consumir marcas que tenham um compromisso ambiental: todas essas são atitudes que podemos cultivar individualmente e que, no conjunto, fazem enorme diferença.

Lembremos, portanto, de que as mudanças e atitudes mais simples também contribuem para decidir o futuro do meio ambiente; de que as pequenas ações permitem alcançar as metas mais ambiciosas. Como Millôr Fernandes, coloquemos essas lições em prática, garantindo um caminho mais limpo e sustentável para todos.

* presidente da divisão Brasil da Arcos Dorados, operadora da rede McDonald's na América Latina