Sindicalistas: plano deve ser acompanhado de empregos

Para líder sindical, o governo deve exigir da indústria a garantia do emprego e o compromisso com trabalho decente

Brasília - Ao discursar durante o lançamento das medidas de estímulo à indústria, hoje (3), no Palácio do Planalto, o presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, disse à presidente Dilma Rousseff, que o governo deve exigir dos setores beneficiados a garantia do emprego e o compromisso das empresas com o trabalho decente.

“Nós concordamos que um país rico é um país com sua indústria rica. Não podemos ter um país desindustrializado. É fundamental a valorização da indústria. Mas, para isso, há alguns componentes tão importantes quanto, que são a questão da qualificação e, em especial, a manutenção do emprego”, disse o sindicalista.

No anúncio feito hoje, o governo reforçou ações sobre o câmbio, lançou medidas tributárias, com a desoneração da folha de pagamento, além de estímulos à produção nacional. Foram destacadas ainda medidas para reduzir o custo do comércio exterior e de defesa comercial. Outra medida é o incentivo ao setor de informação e comunicações.

Foram divulgadas ainda melhores condições de crédito, por meio do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), e condições mais favoráveis para a indústria automobilística nacional.

Ele lembrou que essa mesma discussão ocorreu durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na ocasião em que o Planalto anunciou desonerações para o setor automobilístico e produtores da chamada linha branca, que inclui geladeiras, máquinas de lavar, fogões e outros eletrodomésticos.

“Nós, do movimento social, insistimos com o ex-presidente Lula para que se colocasse também a exigência da manutenção do emprego e foi feito daquela forma. Da mesma maneira, senhora presidente, achamos importantíssimo que os direitos dos trabalhadores, a manutenção do emprego sejam valorizados. Nós, do movimento sindical, precisamos, juntos com o BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social], verificar se naquelas empresas que terão acesso a esses recursos, se o trabalho decente é mantido”, ressaltou durante o discurso.

Patah também cobrou do governo uma maior agilidade para se fazer uma reforma tributária ampla no sentido de diminuir a carga tributária. “Nós temos que ter produtos competitivos, mas produtos com preços acessíveis. Certos produtos no Brasil são muitos mais caros que na Europa e nos Estados Unidos. Então é importante que juntos iniciemos um processo de reforma tributária em nosso país”, disse Patah.


Quanto a questão do governo decidir mexer no câmbio, para o sindicalista, as ações anunciadas são “tímidas”. “Achamos um pouco tímido o que o companheiro Guido Mantega apontou. Dá para fazer mais, mas já é um bom começo. Nós temos que ter acesso à capacidade de exportar bens industrializados do que ficar só exportando as nossas riquezas, nosso minério, a nossa agricultura. Temos que exportar produtos de valor agregado que termos a capacidade de produzir em nosso país”, destacou Patah.

Sobre o câmbio, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, declarou que as medidas terão caráter permanente, incluindo o aumento das reservas internacionais. A política de aumentar a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) também será mantida para taxar as operações especulativas. Por outro lado, a taxa básica de juros (Selic), que não tem como objetivo reduzir o câmbio, ajudará a evitar que os especuladores venham a investir no Brasil para garantir maior rentabilidade de suas aplicações.

Já o presidente da Força Sindical, o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, chamou o pacote do governo de “pacotinho”. “A princípio não parece um pacote, parece mais um pacotinho. É muito tímido em relação ao que a gente espera para poder alavancar a indústria nacional. O governo demorou demais. Até agora o Brasil Maior, lançado há oito meses, não funcionou, praticamente não existiu, os conselhos não funcionaram”, criticou.

As medidas anunciadas pelo governo são destinadas a 15 setores da produção industrial. Na opinião de Paulinho da Força, as medidas anunciadas são pontuais e não representam uma política industrial. “A indústria brasileira é composta de 127 setores”, destacou o sindicalista.

Paulinho da Força disse ainda que há uma grande preocupação com a manutenção do emprego e que as empresas já começaram a cortar vagas devido às dificuldades enfrentadas. “As empresas já começaram a dar férias coletivas e a demitir”, alertou.

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