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Pico de crescimento do Brasil já passou, diz Merrill Lynch

Para o banco americano, expansão do país chegou ao ápice no quarto trimestre e deve desacelerar a partir de agora

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Da Redação

Publicado em 10 de outubro de 2010 às 04h10.

A rapidez com que a economia brasileira emergiu da crise lhe garantiu um lugar de destaque mundial, com direito a elogios de publicações respeitadas, como a revista britânica The Economist. Mas o melhor momento da recuperação já ficou para trás, segundo um relatório do Bank of America Merrill Lynch. Para o banco americano, o Brasil atingiu seu pico de expansão no quarto trimestre de 2009 e, a partir de agora, deve apresentar um ritmo mais lento de crescimento.


Assim, o banco americano passou a trabalhar com um cenário de alta de 1,75 pontos percentuais da Selic neste ano - o que faria com que terminasse em 10,50% ao ano. O primeiro ajuste, de 0,25 ponto percentual, seria realizado em junho. A partir daí, a instituição espera mais três aumentos consecutivos de 0,50 ponto e, depois, que a Selic permaneça inalterada em 2011.

Mais perto da intervenção

Entre os sete países latino-americanos avaliados pelo relatório o Brasil é o que apresenta maior risco de novas intervenções no câmbio, segundo a Merrill Lynch. "As autoridades têm expressado clara preocupação com a taxa de 1,70 real por dólar", afirmam os analistas, citando as recentes tentativas do governo de conter a queda da moeda americana, como a taxação com o IOF sobre o capital estrangeiro que entra no país para investir no mercado financeiro.

A Merrill Lynch não chega a analisar que tipo de medida o Brasil poderia adotar para impedir maiores valorizações do real, mas afirma que ao menos uma deve continuar a ser vista - as compras de dólares pelo Banco Central. "As compras diárias de dólares pelo BC provavelmente continuarão por todo o tempo em que a taxa permanecer abaixo de 2 reais", diz.

Eleições

Em seu cenário, a Merrill Lynch também não ignorou o fato de que diversos países latino-americanos realizarão eleições neste ano. No caso brasileiro, a instituição aposta que o quadro mais provável é o de uma polarização da disputa presidencial entre o provável candidato tucano - o governador de São Paulo, José Serra - e a já declarada candidata petistas, a ministra da Casa Civil Dilma Rousseff - apoiada pelo presidente Lula. "A polarização entre Serra e Dilma seria vista como um pano-de-fundo positivo para o mercado", afirma o banco. (Continua)


A instituição observa, porém, que, apesar de os dois candidatos serem bem recebidos pelos investidores, ainda há várias dúvidas sobre o futuro da política econômica brasileira, como o grau de independência do Banco Central e quem estará à sua frente. A favor de Serra, a Merrill Lynch afirma que sua eventual eleição seria uma "opção por surpresas positivas" na área fiscal e para as reformas estruturais. Em compensação, o pré-candidato tucano causa dúvidas sobre quão intervencionista seria no Banco Central e no câmbio. Já sobre Dilma, a Merrill Lynch destaca como positiva a provável continuação da linha econômica adotada por Lula. A ressalva fica por conta da capacidade de Dilma executar as políticas que defender, já que talvez não conte com o mesmo prestígio político de Lula.

O banco observa que, entre 2010 e 2011, a América Latina realizará quase 20 eleições para todos os níveis de governo. Os pleitos devem conduzir a região mais para a direita da mesma forma que, na década passada, prevaleceu a tendência à esquerda. O Chile será o primeiro a ir às urnas, em 17 de janeiro. O líder nas pesquisas é o empresário Sebastian Piñera, de centro direita. Dono da companhia aérea LAN Chile, a eleição de Piñera pode aumentar a tensão entre o governo e os sindicatos, segundo a Merrill Lynch - particularmente com os que representam empresas estatais.

O banco americano também traça, como cenário básico, a continuidade da política econômica na Colômbia, com o possível terceiro mandato de Álvaro Uribe. Na Argentina, as eleições presidenciais ocorrerão apenas em outubro de 2011, mas a disputa já teria começado, de acordo com a Merrill Lynch, devido à gradual perda de apoio dos Kirchner. A derrota da base governista nas eleições parlamentares do ano passado, que levou à perda da maioria no Senado e na Câmara está forçando o governo a reabrir o diálogo com a oposição, mas isso pode não ser suficiente para reverter a deterioração do apoio aos Kirchner.

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