Redação Exame
Publicado em 1 de janeiro de 2026 às 12h01.
O novo valor do salário mínimo nacional, fixado em R$ 1.621, passa a valer a partir desta quinta-feira 1º. O reajuste representa alta de 6,79% em relação ao piso anterior, de R$ 1.518, e considera a inflação acumulada pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) nos últimos 12 meses até novembro, além de um ganho real limitado pelas regras do arcabouço fiscal.
Benefícios vinculados ao salário mínimo, como seguro-desemprego e Benefício de Prestação Continuada (BPC), serão pagos com o valor reajustado a partir do início de fevereiro.
Segundo o Dieese, para garantir a manutenção de uma família de quatro pessoas, o salário mínimo ideal em novembro deveria ter sido de R$ 7.067,18 — 4,66 vezes o piso nacional. Pela Constituição, o mínimo deve ser corrigido ao menos pela inflação para preservar o poder de compra.
O salário mínimo serve de referência para cerca de 59,9 milhões de brasileiros, de acordo com nota técnica do Dieese. Se fosse aplicado apenas o reajuste pela inflação, o valor subiria para aproximadamente R$ 1.582, considerando a variação de 4,18% do INPC.
Durante a campanha, o governo Lula prometeu retomar a política de valorização do salário mínimo, com aumentos acima da inflação. Em 2023, o Congresso aprovou medida provisória que incluiu esse mecanismo na lei, prevendo reajustes com base na inflação e no crescimento do PIB dos dois anos anteriores.
Por essa regra, o mínimo poderia chegar a R$ 1.636 em 2026, considerando a inflação de 4,18% e o crescimento do PIB de 3,4%. No entanto, uma lei aprovada em dezembro limitou o aumento real a 2,5%, conforme o teto de gastos do arcabouço fiscal.
Cada R$ 1 de aumento no salário mínimo gera uma despesa adicional de cerca de R$ 420 milhões em 2026, segundo cálculos do governo. Como benefícios previdenciários e outros pagamentos não podem ser inferiores ao mínimo, o reajuste eleva gastos obrigatórios e reduz recursos para despesas discricionárias, afetando políticas públicas.